Não basta entender o comportamento das novas gerações que estão prestes a assumir a empresa familiar, sem ter uma estratégia e planejamento bem estruturados para o processo de transição. Nessa questão, um ponto-chave que vem sendo sustentado por especialistas é a profissionalização do negócio, dado o momento de pressão econômica com custos crescentes e competitividade.
Para isso, criar um plano de sucessão se torna indispensável. Entretanto, a Pesquisa Global sobre Empresas Familiares 2014, da PricewaterhouseCoopers (PwC), mostra que muitas companhias ainda não têm isso bem delineado.
Dos 2.484 respondentes de 40 países, incluindo o Brasil, 34% afirmaram ter um plano de sucessão em vigor para algumas ou todas as funções seniores, mas destes, somente 11% têm algo que possa ser qualificado como um processo robusto.
Além disso, esse percentual total (34%) fica atrás da média global de 53%, e dos países integrantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), de 52%.
De acordo com o consultor de empresas e coach de líderes empresariais, Abraham Shapiro, manter vivo um negócio familiar é, talvez, a tarefa mais difícil do mundo dos negócios e um dos motivos é a falta de organização.
"Uma boa consultoria ajuda muito. O planejamento bem conduzido da profissionalização exige que o dono divida responsabilidades pelas decisões e compartilhe informações importantes com profissionais que, aos poucos, vão integrando a empresa", aponta.
Quanto à orientação aos descendentes, uma das ações mais eficazes é colocá-los em contato com herdeiros e sucessores de outras empresas para a troca de experiências, até porque isto facilita o relacionamento com aqueles que enfrentam problemas parecidos. "A decisão e o planejamento da primeira geração reflete frontalmente nas gerações futuras", conclui.
O executivo Carlos Peres, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), acrescenta que sem fazer mudanças no sistema, isto é, sem a implementação de uma governança adequada, fica muito difícil as empresas familiares concorrerem com o mercado que está cada vez mais competitivo.
"É um caminho sem volta. Por isso, é importante que as empresas trabalhem avaliando esse processo continuamente, sendo mais interativas. A vantagem de trabalhar com sucessão familiar é que se pode ter uma visão a longo prazo, pois teoricamente, as famílias têm um interesse muito maior em permanecer no negócio", diz. (M.O.)

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