Entre os negócios sociais que vão surgindo no País, o F123 é um deles. Oficialmente, a empresa foi fundada em 2010, em Curitiba, mas os produtos vinham sendo desenvolvidos desde 2007.
Com o slogan "A tecnologia que possibilita", a F123 oferece uma estratégia de grande escala para educação e emprego de pessoas com deficiência visual. Isto é, a empresa desenvolve e distribui softwares de baixo custo para pessoas cegas ou com baixa visão.
Do ambiente escolar ao profissional, a tecnologia funciona como um leitor de tela, com uma voz sintética. "Nossa filosofia de empreendedorismo social é de que qualquer lucro obtido é usado na aquisição de novas tecnologias e manutenção da empresa, como contas fixas e colaboradores", conta Fernando Botelho, empreendedor social, formado em Sociologia e mestre em Relações Internacionais.
Ao longo dos anos, o produto foi disponibilizado em 49 países. Segundo Botelho, a última versão, lançada há dois meses, já atende cerca de 600 pessoas. Porém, ele explica que há muitas parcerias, principalmente com entidades, onde algumas versões são oferecidas gratuitamente. "Acho que pudemos ajudar cerca de 500 mil pessoas", calcula.
A ideia da F123 surgiu da experiência de vida de Botelho. Ele é cego e, pelo esforço da família, conseguiu estudar pelo acesso, no final dos anos 80, de uma versão primitiva de computador que o permitia ouvir o conteúdo.
"Era algo caro e difícil de encontrar, mas essa prática teve um impacto muito grande na minha vida. De um dia para outro, aquilo me abriu muitas portas. Estudei fora do País e, quando retornei, tinha o objetivo de levar essa oportunidade para um número muito maior de pessoas", conta, emocionado. (M.O.)

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