Estudar fora do Brasil pode fazer a diferença no currículo e ajudar na conquista de uma vaga no mercado de trabalho. Esta iniciativa tem sido cada vez mais comum e professores apontam que se tornará fundamental para quem almeja bons cargos. De acordo com a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta - sigla em inglês), somente em 2012, cerca de 175 mil brasileiros fizeram intercâmbio, total que vem aumentando, em média, 20% ao ano.
As inscrições para o Ciência sem Fronteiras (CsF), programa de intercâmbio para universitários do governo federal, terminaram em julho com 13,1 mil inscritos. Eles estão disputando bolsas de estudos em seis países. A maioria demonstrou maior interesse por países de língua inglesa. Do total, 4.909 se inscreveram para o Reino Unido, 3.285 para o Canadá, 3.207 para a Austrália, 1.174 para a Nova Zelândia, 377 para a Finlândia e 222 para a Coreia do Sul.
Até 2015, o CsF deve distribuir 101 mil bolsas estudantis para diversas modalidades, entre elas graduação, pós, mestrado e outras (leia mais nesta página). O maior número de bolsas é para modalidade de graduação sanduíche, pela qual 64 mil estudantes de ensino superior vão realizar parte dos seus estudos em uma instituição estrangeira.
A Coordenação de Aperfeiçoamento e Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sãos os principais órgãos de fomento do CsF.
A diretora de Assuntos Acadêmicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), responsável pelo intercâmbio do CsF, Josefa Juvina Silva Galdo, explica que o programa é mais voltado para cursos ligados às áreas biológicas, exatas e tecnológicas. "A UEL até teve casos de um ou outro aluno do cursos de humanas que foram contemplados, mas a prioridade do governo federal é para cursos de outras áreas", esclarece.

Exigências
A vice-coordenadora do curso de Biomedicina da UEL, Cassia Thais Zaia, enfatiza que para conseguir uma bolsa é necessário preencher alguns pré-requisitos, entre eles ter um histórico escolar com boas médias e, em alguns casos, bom desempenho em teste de proficiência da língua do país que se pretende disputar a bolsa. Outra exigência é que o aluno tenha concluído no mínimo 20% e, no máximo, 90% do curso de graduação. "Mas estes requisitos podem variar um pouco, de acordo com a instituição que o aluno escolhe como seu destino", acrescenta.
A partir deste ano, o Ministério passou a exigir dos candidatos a participação no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). A medida revoltou os estudantes que entraram na universidade há mais de quatro anos, antes da introdução do exame. Eles estão se mobilizando nas redes sociais, com abaixo-assinados, para que esta exigência entre em vigor somente após 2015, quando se supõe que a maioria dos universitários já tenha feito o teste nacional.

Oportunidades
O estudante precisa ser proativo e ficar atento às oportunidades anunciadas nos sites do CNPq e Capes, já que é ele quem deve efetuar a inscrição. "Temos na UEL, dentro da Prograd [Pró-Reitoria de Graduação], quem cuida do intercâmbio, mas é o aluno quem deve procurar por informações. Ele deve ter iniciativa própria", orienta Cássia.
O universitário também deve ter consciência de que quando retornar ao Brasil deverá retomar o curso no mesmo período que interrompeu. "Se um aluno do 3º ano fica um ano fora, quando volta, o conteúdo aprendido no exterior não abona a necessidade de fazer as matérias do ano que parou", esclarece Lucy Megume Yamauchi Lioni, coordenadora do curso de Biomedicina. "Mesmo assim é compensador porque o aluno vai participar de eventos e ver conteúdos que não tem aqui, além de apresentar lá fora projetos desenvolvidos no Brasil", avalia.
Além dos programas governamentais, as universidades e faculdades brasileiras também fecham convênios diretamente com as instituições educacionais estrangeiras.
A Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) disponibiliza aos alunos diferentes opções de intercâmbios. Além de algumas bolsas ligadas ao governo federal pelo Capes/Brafitec, programa de intercâmbio firmado entre o Brasil e a França, a instituição ainda dispõe de outros dois programas: intercâmbio acadêmico e intercâmbio cultural (feito no período das férias, com duração de 15 ou 20 dias).
A agente de Internacionalização da PUC Londrina, professora Adriana Martello Valero, adianta que o intercâmbio acadêmico refere-se a parcerias da instituição com outras univers idades em 22 países. Diferentemente do que acontece com as bolsas do CsF, Adriana ressalta que o conteúdo cursado por meio de convênios diretos com universidades estrangeiras pode ser aproveitado para eliminar disciplinas e assim "passar de ano".

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