Crise no emprego não afeta setor da saúde

Os postos de trabalho com carteira assinada na cadeia produtiva da saúde, em setores públicos e privados, somaram 5,1 milhões em agosto de 2019, um feito inédito no País

Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

Enquanto o número de empregos formais no Brasil cresce timidamente, a geração de vagas no setor da saúde está aquecida. O Relatório de Emprego da Cadeia Produtiva da Saúde, divulgado no dia 1º de novembro pelo IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar) revelou que os postos de trabalho com carteira assinada na cadeia produtiva da saúde, em setores públicos e privados, somaram 5,1 milhões em agosto de 2019, um feito inédito no País, segundo o instituto.


Brasil gasta perto de US$ 1 mil per capita por ano com saúde
Brasil gasta perto de US$ 1 mil per capita por ano com saúde | iStock
 



Na comparação com agosto de 2018, houve um aumento de 3,4%. Foram 3,6 milhões de contratações na iniciativa privada e 1,5 milhão na saúde pública. No mesmo período, o total de postos de trabalho gerado na economia cresceu 1,1%. Desconsiderando os empregos do setor de saúde, o aumento computado é de apenas 0,8%. O relatório mostra ainda que nos 12 meses encerrados no último agosto, foram criados 166,6 mil novos postos de trabalho, o que corresponde a 36,3% dos 458,9 mil novos empregos gerados no Brasil no mesmo período, de acordo com o IESS.




“Não é difícil de a gente entender isso. Apesar da queda no número de beneficiários de planos de saúde, as pessoas estão se cuidando mais e estão buscando mais pelos serviços de saúde, para prevenção. Aumentou o número de procedimentos”, avaliou o superintendente executivo do IESS, José Cechin. Além da alta na demanda por consultas e exames preventivos, apontou ele, o maior acesso à informação fez crescer a procura por tecnologias de ponta e há que se considerar ainda o aumento na judicialização da saúde, que embora menos relevante no balanço da geração de empregos no setor, também teve sua contribuição.


“No Brasil, devemos estar gastando perto de US$ 1 mil per capita por ano com saúde. Os europeus gastam US$ 3 mil. Mas em termos de proporção do PIB, gastamos pouco mais de 9%, assim como os europeus. Os esforços pela saúde aqui e lá são os mesmos”, comparou Cechin.  


Economista-chefe da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), Marcos Novais disse que as operadoras associadas à entidade – a maioria delas, verticalizadas – cresceram 3% ao ano nos últimos anos em número de pessoas cobertas. “Isso por si já dá uma dinâmica de emprego. As operadoras estão investindo em hospitais, clínicas e laboratórios em locais onde não tem rede. O setor não está parado, está pujante. Poderia estar além se o número de pessoas com plano de saúde estivesse aumentando, mas estamos tendo pequenos acréscimos, saindo de 47 milhões de pessoas cobertas para 47,2 milhões. Já chegamos a ter 47,5 milhões de pessoas.”


PARANÁ

O presidente da Femipa (Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná) e do Sindipar (Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná), Flaviano Feu Ventorim, lembrou que a saúde e a alimentação são áreas que mesmo em tempos de crise não deixam de existir. “A gente já nota uma queda na rotatividade e melhora na empregabilidade porque as vagas abertas acabam sendo supridas. E as leis vêm impondo mais obrigações na área de saúde. Encarece mais. Antes você precisava ter um técnico de enfermagem a cada dez pacientes. Hoje, é um para cada seis, sete, o que aumenta a demanda e as contratações. Ainda tem as pessoas com necessidades especiais e os jovens aprendizes. Essa imposição legal vai inflando o quadro de funcionários dos hospitais. É um conjunto de fatores”, explicou.  


EXPANSÃO NA SAÚDE DEVE CONTINUAR, AFIRMA IESS

Se a economia do País mantiver o ritmo de crescimento nos próximos meses, o setor de saúde deve aquecer ainda mais, gerando mais postos de trabalho, prevê o superintendente executivo do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), José Cechin. O Relatório de Emprego da Cadeia Produtiva da Saúde, apresentado em 1º de novembro, foi o primeiro e a expectativa do instituto é divulgar uma edição atualizada a cada mês.  “Eu diria, quase um afirmativo, que vai aumentar os números nos próximos relatórios. Estamos entrando em um ciclo de retomada econômica, com a volta dos investimentos e crescimentos. Se voltar a crescer, empresas que já dão planos de saúde aos funcionários vão contratar mais gente, aumentando o número de beneficiários, e as pessoas poderão cuidar mais da saúde. Tudo isso leva ao aumento dos investimentos em saúde e do emprego dessa cadeia produtiva.”


A Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) espera terminar 2021 com 48,6 milhões de usuários, um crescimento de 1,4 milhão de pessoas, o que corresponde a 3% sobre o número atual. “Acho que a gente tem muito a avançar. Poderíamos cobrir melhor a fatia da população, estar presente em mais lares. Mas dizer que estamos enfrentando uma crise sem precedentes, não é verdade. As operadoras cresceram consideravelmente”, avaliou o economista-chefe da entidade, Marcos Novais.


Cechin defendeu, no entanto, o aumento da produtividade do setor. “No setor da saúde como um todo, tem que melhorar em muito a produtividade. Na medida em que isso acontece, compensa um pouco a necessidade de aumento de empregos. Se melhorarmos a produtividade, ainda assim vai crescer (a geração de postos de trabalho), mas continua sem tanta intensidade. Não irá desempregar médicos, enfermeiras, cuidadores. Irá diminuir o risco de crescimento das despesas de saúde e tornar a saúde mais acessível”, afirmou.


Continue lendo


Últimas notícias