EMPREENDEDORISMO -

Cresce o campo de trabalho para a enfermagem

Lei recente que regulamenta consultórios e clínicas amplia caminho para o empreendedorismo no setor

Lucas Catanho/ Especial para FOLHA
Lucas Catanho/ Especial para FOLHA

O campo de trabalho vem se abrindo para os profissionais de enfermagem. Além da maior demanda por profissionais por conta da pandemia, essa categoria conquistou um aprimoramento na lei para atuar no mercado de maneira mais independente e empreender. 

Foi o que ocorreu após entrar em vigor a Resolução 568, de 2018, do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), que regulamentou o funcionamento dos consultórios e clínicas de enfermagem. Assim como as clínicas de fisioterapia, a tendência é que esse tipo de serviço cresça nos próximos anos. 




A coordenadora do Departamento de Fiscalização do Coren-PR (Conselho Regional de Enfermagem do Paraná), Deliziê Martins, explica que a consulta de enfermagem já tinha previsão legal amparada por uma lei federal, de 1986, e por outro decreto federal, de 1987. 

“A resolução de 2018 norteia e dá mais elementos para os enfermeiros que desejam abrir clínica ou consultório, explicando o que é preciso para cada um. Com isso, os enfermeiros se sentiram mais seguros e estão se empoderando cada vez mais”, afirmou. 

Prova disso é o aumento da procura de profissionais pelo Coren por informações sobre empreender, seja por enfermeiros que pensam em fazer uma especialização ou por aqueles que já estão se especializando. “A tendência é que as consultas em enfermagem aumentem e haja um maior reconhecimento à profissão.” 

 

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RESPALDO

 

A enfermeira Tatiane Phelipini, docente da Unopar Piza Londrina, entende que a resolução de 2018 traz um respaldo importante, já que muitos profissionais tinham desejo de empreender, mas havia entraves por não haver uma legislação específica que desse maior segurança aos enfermeiros. 

“Para quem deseja empreender, a base é o autoconhecimento. Deve-se aliar o que gosta à necessidade do mercado. O profissional precisa se especializar, se aprofundar e encontrar seu público-alvo.” 

Para os profissionais preparados, Tatiane considera que o campo do empreendedorismo é extremamente promissor.  

“A população envelhece a cada dia, a demanda é cada vez maior. A pandemia já nos mostrou que o paciente não precisa ir ao posto de saúde para trocar um curativo, por exemplo. Com uma clínica, o enfermeiro pode ir até a residência para prestar diversos tipos de atendimento.” 


CONTEÚDOS 

A coordenadora do curso de enfermagem da Unopar Bandeirantes, Daniela Vilela, explica que a graduação já traz alguns conteúdos ligados ao empreendedorismo, como as disciplinas de gestão em saúde e gestão de pessoas, conhecimento que se complementa quando o estudante vai fazer estágio. 

“Os alunos precisam ter em mente que empreender não é só abrir o próprio negócio. Ele pode prestar consultoria, dar treinamentos, trabalhar na promoção de eventos educacionais em saúde e comercializar produtos hospitalares”, listou. 

Com a resolução de 2018, Daniela considera que o território ficou mais fértil para empreender. “Muitos profissionais estão buscando outras formas e possibilidades de ingresso no mercado. Isso também vem chamando atenção de muitos alunos”, conclui.  

As enfermeiras Thais Safranov e Glaura Pires decidiram empreender e abriram uma clínica em Londrina há 8 meses
As enfermeiras Thais Safranov e Glaura Pires decidiram empreender e abriram uma clínica em Londrina há 8 meses | Gustavo Carneiro
 

EMPREENDEDORISMO

 

As enfermeiras Thais Safranov e Glaura Pires começaram a fazer uma pesquisa em 2018, ano em que saiu a resolução do Cofen, e abriram há oito meses uma clínica em Londrina com foco no atendimento a pacientes com feridas, estomias, incontinência, e nos cuidados com o pé diabético.  

O início das atividades ocorreu seis meses após providenciarem toda a papelada, período burocrático que provocou um medo inicial. 

Sócias-proprietárias da EnfClinic, as profissionais já vêm colhendo os frutos iniciais da atitude empreendedora.  

“Ainda temos um caminho a percorrer. Mas estamos nos planejando para ficarmos em até dois anos somente com as atividades na clínica, um espaço que fizemos com a nossa cara”, destacou Thais. “Os convênios ainda não dão abertura para fazerem muitas parcerias, facilidade que alguns consultórios médicos formados já têm”, acrescenta Glaura. 

Com mais de dez anos de carreira, Thais presta hoje atendimento na clínica e, paralelamente, segue no setor técnico de uma empresa de curativos, onde começou suas atividades em 2018. Assim como a sócia, e com experiência profissional de 15 anos, Glaura também tem dois empregos. 

“A enfermagem é uma profissão desgastante, e a ideia á conseguirmos trabalhar em uma carga mais reduzida ou maleável com o mesmo rendimento”, diz Thais. 

A resolução do Cofen deu autonomia às profissionais. “[A resolução] Foi uma mola para o empreendedorismo. A lei é também um reconhecimento, já que a gente, como profissional, sabe até onde pode ir. Temos profissionais parceiros na clínica para encaminhamento quando necessário”, pontuou. 



Glaura acrescenta que empreender nesta área não é fácil. “Ao mesmo tempo, no entanto, é gratificante porque todas as colegas, quando veem que temos um consultório de enfermagem, se sentem motivadas. Tentamos quebrar as barreiras como profissionais e queremos fazer a diferença nesse meio”, conclui. 

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