Cresce a procura por mestrado profissional
Pós-graduação stricto sensu é opção para quem está no mercado de trabalho
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segunda-feira, 22 de abril de 2019
Pós-graduação stricto sensu é opção para quem está no mercado de trabalho
Viviani Costa - Grupo Folha 

Aliar teoria e prática. Esse é o desafio de milhares de brasileiros que buscam qualificação enquanto permanecem no mercado de trabalho. Além da troca de experiências com profissionais da área, o estudante Claudio Filho optou pelo mestrado profissional em Clínicas Veterinárias na UEL (Universidade Estadual de Londrina) em razão da maleabilidade de horários das aulas.
“A dinâmica é um pouco diferente e não é exigida dedicação exclusiva que impossibilite trabalhar em outros lugares”, afirma. Claudio é anestesista na área de pequenos animais, mora em Nova América da Colina (Norte do Paraná) e atua em cidades do interior do Paraná e de São Paulo. O curso escolhido tem duração de 2 anos.
Segundo dados da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior), a quantidade de estudantes matriculados em mestrados profissionais teve crescimento de 268% em oito anos. Em 2010, havia 10.213 alunos cadastrados. Em 2017, o total chegou a 37.568 em todo o país. Já a quantidade de cursos ofertados saltou de 247 (em 2010) para 739 (em 2017), um aumento aproximado de 200%.
O mestrado profissional é uma modalidade de pós-graduação stricto sensu, assim como o mestrado acadêmico, o doutorado, o doutorado profissional e o pós-doutorado. Já os cursos lato sensu abrangem especializações e MBAs (Master of Business Administration). Diante de inúmeras opções, além de analisar as disciplinas ofertadas pelos cursos, é preciso avaliar qual modalidade de pós-graduação atende ao perfil do estudante e a necessidade de aperfeiçoamento.
A UEL oferece sete opções de mestrado profissional nas áreas de ciências humanas, exatas e agrárias. A diretora de pós-graduação da UEL, Silvia Meletti, destaca que a modalidade está em expansão. “Quando a gente pensa no resultado do mestrado profissional ou acadêmico, em termos de diploma, ambos têm a mesma validade, por exemplo, na hora de prestar um concurso com exigência de mestrado. A diferença entre os dois é que o mestrado profissional se volta mais para a capacitação de profissionais nas mais diferentes áreas do conhecimento priorizando o estudo de técnicas, processos e temáticas voltadas para uma demanda do mercado de trabalho. Ele tem um objetivo mais direcionado para a contribuição com o setor produtivo, tanto público quanto privado”, explica.
“Já o mestrado acadêmico vai priorizar a formação do pesquisador, mas ele também é voltado para o mercado de trabalho. Quem faz o mestrado acadêmico também está se qualificando para o mercado. O objetivo do acadêmico é essencialmente científico voltado para a formação de profissionais que tenham a intenção de atuar na carreira de pesquisador, seja em universidades ou em institutos de pesquisa e na docência. Nos dois casos teremos um caráter essencialmente científico com a exigência de produção de conhecimento científico, seja um conhecimento aplicado ou mais acadêmico, sem a prática imediata. Um tipo de mestrado não exclui o outro. Até porque temos campo para a atuação nas duas frentes”, completa Meletti.
Professora na rede estadual de ensino, Anahi Edna Bittencourt também optou no ano passado pelo mestrado profissional em Letras na UEL. “Estamos sempre buscando formas de agregar valor para nossa atuação e resolver problemas reais da sala de aula. Por exemplo, aquele aluno que estuda, mas não consegue aprender ou aquele que lê, mas não entende o conteúdo lido de maneira satisfatória ou então lê, mas desconhece os textos literários, só para citar alguns problemas que qualquer professor vivencia nas suas atuações. O mestrado profissional é a melhor opção para aqueles que já atuam na prática, as trocas de experiências quando somadas às discussões teóricas, ajudam na superação dos desafios encontrados no trabalho”, avalia a professora.
UTFPR tem 17 cursos no Estado
A UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) oferece 17 mestrados profissionais no Estado. Any Ellen Lopes se interessou pelo curso de Tecnologia de Alimentos. Ela atua como agente local de inovação no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e realiza projetos em 45 indústrias de alimentos na região norte do Estado.
“Na indústria percebi um vácuo entre teoria e prática. Com o mestrado profissional, consegui desenvolver uma comunicação mais assertiva para que o conhecimento técnico e a legislação pudessem ser aplicados no dia a dia. O curso foi além das minhas expectativas. Foi a cereja do bolo na minha carreira profissional”, define já prestes a concluir o curso. O próximo passo, segundo ela, será o doutorado profissional. Lopes pretende ainda seguir carreira no setor de exportação.
O pró-reitor adjunto de Pesquisa e Pós-graduação da UTFPR, Nestor Saavedra Filho, classifica a crescente procura por pós-graduações dessa modalidade como uma demanda reprimida entre os profissionais que buscam qualificação. “O mestrado profissional surgiu no final da década de 1990 e veio para dialogar diretamente com a comunidade externa. Quem procura essa modalidade já tem um problema identificado no próprio ambiente de trabalho e traz isso para a academia. É aplicada uma metodologia científica para atacar esse problema e isso se assemelha bastante ao mestrado acadêmico com revisão na literatura, fundamentação teórica, desenvolvimento e metodologia de pesquisa e tratamento dos resultados. A metodologia científica resolve não só o problema que o aluno traz, mas uma série de questões relacionadas aquele fato. As conclusões são muito mais abrangentes e podem ser utilizadas em outros ambientes de trabalho”, reforça.
“No caso dos programas profissionais, dependendo da área, a dissertação acaba sendo opcional, mas o produto é obrigatório, que é uma solução para o problema que o aluno trouxe. Esse produto pode ser um manual, um compilado de referências técnicas e tecnológicas, sequências didáticas, segundo formatos aceitos em cada programa”, detalha Saavedra Filho. Neste ano, a UTFPR vai ofertar também dois doutorados profissionais: um na área de ensino de ciências e matemática e outro na área de planejamento urbano e regional.
A procura por pós-graduações nessa modalidade aumentou também em instituições particulares. A Universidade Positivo já oferece mestrados profissionais e, recentemente, teve aprovado o doutorado profissional em Biotecnologia. “O doutorado profissional é uma modalidade criada no Brasil no início de 2017. No caso dos mestrados profissionais, temos como alunos pessoas preocupadas em utilizar a formação acadêmica para resolver problemas que surgem durante as atividades práticas, questões complexas que consigam ser traduzidas dentro da linguagem do stricto senso”, complementa Roberto Di Benedetto, diretor da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da Universidade Positivo e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Direito na instituição.
Para os interessados em cursos dessa modalidade, a Capes dispõe de dois sites para consulta. No endereço geocapes.capes.gov.br e na chamada Plataforma Sucupira (sucupira.capes.gov.br) é possível verificar as pós-graduações disponíveis em todo o Brasil e a avaliação dos cursos.



