Coworking cresce e aposta na segmentação
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segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local
A ideia é boa e está agradando muita gente. Trabalhar em ambientes compartilhados com profissionais de diferentes áreas ou não e, ainda, contar com toda a infraestrutura necessária a valores acessíveis, de fato, são características de um espaço de negócio que tem tudo para dar certo.
Na verdade, já deu. O coworking, modelo de trabalho compartilhado, é uma tendência que se espalhou dos Estados Unidos para o mundo. No Brasil, as primeiras apostas começaram em 2008, e hoje já somam mais de 238 espaços ativos.
A maioria, ou seja, 95 locais estão concentrados em São Paulo, mas o Paraná está seguindo o mesmo rumo, ficando em quarto lugar com 20 escritórios compartilhados, juntamente com o Rio de Janeiro. Minas Gerais ocupa o segundo lugar, com 23 espaços.
Os dados são do Censo 2015 Coworking Brasil, realizada pela Ekonomio em parceria com B4i e Coworking Brasil. E com base em 141 espaços que participaram do questionário on-line, pode-se estimar o quanto essa prática é representativa.
Em todo o País, são mais de 6.500 posições de trabalho, mais de 200 salas de reuniões e 122 salas privativas. Além disso, 33 desses escritórios funcionam 24 horas por dia, e quase 40%, ou seja, 56 espaços foram inaugurados no ano passado.
As áreas de atuação são diversas, mas os negócios sociais, design, educação, startups, arquitetura, tecnologia e freelancer ainda se destacam neste tipo de empreendimento. Entretanto, há uma tendência em coworking segmentado, isto é, espaços direcionados a públicos ou áreas específicas.
Um exemplo está em Curitiba e mesmo com uma atuação inicial (lançado no mês de setembro), o Mamaworking já vem conquistando muitas mamães que precisam e querem voltar ao trabalho, sem perder os momentos importantes da primeira infância.
As sócias-proprietárias Thalita Gomes, pedagoga, e Valquíria Porto, administradora, foram para São Paulo conhecer alguns modelos e, a partir dessa impressão, deram vida ao plano de negócios.
"A casa tem 500 m² e é totalmente adaptada. No andar de cima, as mães trabalham em escritório compartilhado, mas também contam com sala de reunião e espaço saúde, com aulas e cursos de ioga, pilates, sling, dança do ventre, entre outros", conta Thalita.
No térreo, onde as crianças ficam, há um ateliê infantil, berçário, copa coletiva, geladeira de congelados com papinhas orgânicas, trocador adaptado, jardim, espaço para sono e copa para amamentar.
"A proposta é voltada para a primeira infância (seis meses a cinco anos) e para a mãe que está saindo da licença-maternidade, é autônoma, trabalha com home office ou é colaboradora de uma empresa que pensa na licença-maternidade estendida", explica.
O contrato de pacote de horas pode ser avulso (R$ 35 a hora) ou trimestral com 60h no total, sendo R$ 23 a hora. Segundo Thalita, no primeiro momento é feita a adaptação da criança e, depois, a mãe sobe para trabalhar. "Não trabalhamos como uma recreação simples. Temos oficinas permanentes e uma programação direcionada", acrescenta.
Em pouco mais de dois meses de funcionamento, o Mamaworking já tem 20 mães adeptas. "É uma tendência segmentar o coworking. Para o nosso negócio, vemos uma grande demanda, pois o ideal é que esse processo de separação entre mãe e bebê seja gradual. Aqui, é tudo muito funcional, prático e tem toda a questão da segurança dos bebês e suporte para as mães", conclui.