Compromisso de biógrafo é com a verdade
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Os escritores de biografia estiveram em evidência durante o ano de 2013, principalmente pelas polêmicas envolvendo o grupo "Procure Saber" (formado por celebridades da cultura nacional e que defende a não publicação de biografias sem autorização prévia do biografado ou descendentes). Mas, como é o dia a dia de um biógrafo? E esses livros, necessitam mesmo de autorização para serem publicados?
O jornalista e escritor londrinense José Antônio Pedriali enveredou pelo mundo das biografias há sete anos. Dessa "aventura" nasceram livros sobre duas personalidades importantes da política londrinense: "Wilson Moreira e a Política da Eficiência", em 2007, e "Dalton Paranaguá e a Construção do Futuro", em 2008, além de "O Poeta da Rebeldia", em 2011, que faz um resgate da vida de seu avô, o poeta Mário José Romagnolli. "As biografias que escrevi foram sob encomenda, com exceção a do meu avô que era de meu interesse retratar", conta ele.
Pedriali diz que embora não seja, exclusivamente, um biógrafo e tenha sido convidado a escrever esse formato de literatura, é importante ressaltar que os trabalhos sempre foram envoltos em muita pesquisa documentais e entrevistas para montar o material. "Tenha sido a biografia feita sob encomenda ou por vontade do autor, o fundamental é que exista um compromisso com a verdade", define.
Durante o processo, o jornalista explica que são vários meses de pesquisas que incluem desde a análise de documentos até entrevistas com pessoas que fizeram parte da vida do biografado de alguma forma para se chegar ao material final.
O escritor deixa claro que por algumas vezes acabou omitindo alguns fatos, mas segundo ele, o processo de seleção dos assuntos a serem tratados não depende da biografia ser autorizada ou não, mas a relevância deles para a história que está sendo contada. "O Wilson Moreira sempre teve a fama de ser avarento, mas durante as pesquisas descobri que enquanto foi prefeito ele doava seu salário para uma instituição de caridade e mesmo contra a vontade da família decidi publicar a história", revela.
O jornalista e palestrante Elias Awad, criador da biografia de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, e que deve lanwçar no início de 2014 seu 18º livro, desta vez a biografia de Oscar Schmidt, o maior ídolo do basquete brasileiro, reforça o compromisso do bom biógrafo com a verdade e argumenta ser importante para os leitores que tanto biografias autorizadas, quanto as não autorizadas cheguem até as prateleiras. "A história de sucesso dessas pessoas públicas inspira outros a mudar. Posso não me tornar o biografado, mas serei alguém melhor por ler a história de alguém que admiro", opina.
Awad pondera que pode existir certo receio por parte de possíveis biografados por terem sua imagem "arranhada" de alguma forma por um livro, no entanto, avalia que essa é uma mentalidade que necessita de mudança. "Aprender com os erros e com a forma como alguém de sucesso conduziu a vida, saber que antes de ser aquele vaso lindo e bem cuidado, a peça já foi lascada, isso tudo é importante para o leitor. Independente de ser autorizada ou não, o importante é que seja divulgada a verdade sempre", crava.



