A agente de viagem Karen Franco Cabral trabalhou em agência de turismo por três anos e resolveu abrir o próprio negócio porque queria crescer profissionalmente. "Tenho uma alma empreendedora. Quando decidi abrir meu negócio, minha família até disse que eu tinha demorado. Imaginaram que eu faria isso antes". Desde o fim do ano passado atendendo clientes por conta própria, ela também oferece a possibilidade de ir até a casa das pessoas para que elas não precisem se deslocar até o seu escritório.
"A verdade é que muitos me ligavam, queriam informações mais detalhadas, mas não por telefone. Por outro lado, eles não tinham tempo de ir até a agência, que fechava às seis horas. Comecei a oferecer o serviço de ir até a casa deles, depois do horário, para explicar direitinho o pacote. Eles começaram a aceitar, e me chamar. Hoje tenho escritório, mas atendo muito mais em casa de clientes, principalmente fora do horário comercial", conta.
O investimento para começar, apesar de só precisar de um notebook e um carro, teve que ser bem avaliado. "Precisei de capital de giro porque os clientes queriam muitas vezes financiar a passagem, e eu tinha que pagar o pacote e receber depois. Fiz essa reserva de dinheiro, e até agora deu tudo certo. Mas eu não abri meu negócio sem pensar, recebi orientações para isso e acredito que foi por conta disso que tudo deu certo", salienta. Hoje, ela vende até dez pacotes por mês, e já consegue atender grupos maiores, mesmo com passagens financiadas.
Na avaliação do consultor empresarial Wellington Moreira, todas as "empreendedoras" citadas na matéria têm uma coisa em comum: não vendem serviço ou produto, vendem comodidade. "O cliente aceita pagar um pouco mais por essa conveniência. Hoje as pessoas não têm tempo, e é muito mais cômodo ter o serviço que venha até você do que o contrário". Por outro lado, o empreendedor também precisa pensar nessa questão. "Ele precisa saber que não vai atender o mesmo número de clientes que atenderia estando fixo em um local. Ele precisa avaliar custos, gastos e até avaliar e pensar como o cliente para ver se esse negócio vai se manter. Mais do que analisar como empreendedor, ele precisa pensar como empresário e em uma forma de manter o negócio vivo".

PONTO FIXO
Outra dica que o consultor dá é não deixar de ter um ponto fixo. "É necessário ter um ponto de referência, um telefone fixo, um espaço ou mesmo alguém que atenda o telefone e fale sobre o serviço com os clientes. O profissional precisa pensar que, mesmo que o serviço seja móvel, o cliente necessita de uma referência". E o mais importante é conversar com pessoas que fazem esse tipo de serviço, ou que estão em um ramo parecido. "Mesmo que na sua cidade ou região não tenha esse serviço, alguém em algum lugar faz isso ou alguma coisa semelhante. Então é preciso conversar, pegar dicas, procurar informações sobre como abrir uma empresa, como ser autônomo, qual equipamento comprar. Tudo isso reduz o risco do negócio não dar certo", orienta. (P.B.O.)

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