Curitiba - A nova geração de estudantes pode ser definida como a geração zap. Com o acesso cada vez maior a informações, os jovens procuram aquilo que é de maior interesse para eles, e mudam rapidamente de ''canal''. No entanto essa atitude de ''mudar de canal'' não está mais restrita aos sites ou mesmo a programas de televisão. A diferença é que agora esse comportamento passou para o cotidiano, inclusive, na hora de escolher uma carreira para seguir. Exemplo disso é o alto índice de desistências dos cursos superiores (veja quadro).

A psicóloga Selena Garcia Greca, especialista em orientação profissional, afirma que o jovem não está preparado para decidir o que vai ser, agora que cresceu. O problema, na sua avaliação, é que esse jovem - recém saído da adolescência - tem que decidir o que fará pelo resto da vida sem estar preparado para isso. E as pressões vêm de todos os lados: deles mesmos, dos pais e da sociedade. ''Ninguém age com maturidade em momentos de pressão'', salienta.

Em alguns casos, as decisões sobre o que cursar são tomadas às vésperas das inscrições para o vestibular. ''Os alunos levam em consideração os resultados de testes vocacionais para decidir'', afirma a psicóloga. E como as escolas não têm disciplinas específicas para isso, o candidato é mal orientado, levando-o a tomar decisões erradas, o que pode gerar arrependimento. Somado a isso, pelo menos, 90% dos alunos não sabem classificar os cursos de graduação.

''Muitas vezes o estudante acredita se tratar de uma coisa que na verdade não tem nada relacionado com o que queria fazer. Age acreditando na afinidade do curso'', comenta a psicóloga. Uma saída para resolver esse problema, seriam as ''feiras de cursos'', oferecidas pelas universidades e que tentam ajudar o aluno a escolher a carreira a seguir. ''A feira ajuda quem já está decidido, mas pode atrapalhar quem ainda não tem a mínima ideia do que vai fazer'', diz.

O que ocorre, segundo ela, é que ao se deparar com toda a estrutura dos cursos, o aluno se encanta por algum item mostrado e, por isso, acaba se decidindo, sem levar em conta todo o contexto. Apessar disso, Selena desenvolveu um projeto de orientação para alunos do Ensino Médio, em parceria com os colégios Marista Santa Maria e Marista Paranaense. O projeto conta com o apoio de instituições superiores de Curitiba, que disponibilizam profissionais de diversas áreas para ministrar palestras sobre os cursos e suas aplicabilidades.

A proposta é ajudar o aluno a decidir a carreira por meio de palestras e aulas. ''É um processo de prevenção na hora da tomada da escolha'', observa Selena. Os alunos aprovaram a ideia. A aluna Isadora Fabiani, do 2º ano do Ensino Médio, por exemplo, já sabia o que queria ser desde criança. Acredita que a decisão tenha forte influência na profissão do pai, que é médico. Ela participa das palestras desde a 8 série e afirma que isso foi determinante para decidir a carreira. A estudante, com a decisão tomada, voltou-se para os estudos, mesmo com o vestibular ainda distante.

Carlos Arthur Hansel também já decidiu pela Medicina. No entanto, sua decisão só ocorreu quando ele começou a estudar o corpo humano. As palestras, segundo ele, ajudaram a confirmar aquilo que já sabia: queria ser médico. Já Rodrigo Althoff afirma ter maior afinidade com o curso de Engenharia. As orientações recebidas nas aulas e sua participação nos seminários o ajudaram a decidir.

''Bicho grilo'', assim se define a aluna Rebeca Trevisan Iurkiewecz. O gosto pela natureza e por animais levaram a aluna optar pela Biologia. No entanto, o contato com uma prima que já estava na faculdade a fez desistir. Ela se disse decepcionada com o mercado de trabalho. Este quesito, inclusive, é um dos fatores que considerados pelos estudantes no momento de decidir pelo curso. Rebeca participou das palestras e, agora, se disse encantada com o curso de Medicina, mas confessa que ainda está em dúvida.

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