PANDEMIA -

Como associações e sindicatos do comércio enfrentam o coronavírus

Em Londrina, parceiros no comércio entendem que momento é de buscar soluções que não prejudiquem negócios e muito menos vidas

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

O Covid-19  impôs novas regras de convivência em sociedade e é preciso retomar lições de escotismo ou apreender na marra: Sempre alerta! Colocar a máscara e proteger olhos, boca e nariz  deve ser encarado, daqui por diante, como algo tão natural como usar um calçado para ir ao trabalho e outro para usar em casa para evitar a contaminação.


Como associações e sindicatos do comércio enfrentam o coronavírus
iStock
 


A Acil - Associação Comercial e Industrial de Londrina - tem procurado encontrar a melhor solução para a retomada das atividades de trabalhadores - empregados e empregadores. Eles sabem que não se trata apenas do movimento físico de abrir ou fechar uma porta. A ação exige bem mais e muitas mãos. Para o presidente da entidade, Fernando Moraes o combate ao novo coronavírus é fundamental. "Não só para os associados da ACIL, mas para todo o setor produtivo. Primeiro, por uma questão humanitária. Evitar a disseminação da doença significa preservar vidas. Para nós, saúde e economia andam lado a lado, pois um setor ajuda o outro." 




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Divulgação
 


Moraes sabe que as regras estabelecidas para o retorno são fundamentais para evitar a propagação do vírus. "Veja bem, se a curva de contágio voltar a subir, o setor produtivo corre o risco de ser fechado novamente. As empresas já sofreram demais e estão pagando muito caro por essa crise", observa.

Uma cartilha com regras para o funcionamento do comércio foi elaborada para que todos voltem à ativa  -prevista para esta segunda-feira (20) - com mais segurança.  "Todos vão fazer o que for preciso para proteger seus clientes e continuar com as portas abertas. Cumprir as determinações é fundamental para a gente se manter em atividade. Quem relaxar nos cuidados, vai favorecer a doença e prejudicar a cidade. Vamos manter um trabalho constante de orientação e conscientização para que todos sigam cuidadosamente as normas de segurança, pois é o meio mais rápido para Londrina sair dessa crise", reflete. 


A experiência de quem já voltou

Em sintonia com a crise mundial e seus reflexos no cotidiano, o diretor presidente do SML-  Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Londrina e Região, Valdir Souza, considera que os metalúrgicos precisavam voltar a seus postos e isso já aconteceu, na quarta-feira (15). A precaução é a melhor saída e estão todos conscientes, nossa vida foi mudada drasticamente e precisamos nos cuidar e cuidar de nossas famílias", expõe. Entre as medidas práticas adotadas no setor, elenca: diferenciação no horário do almoço, distanciamento, máscaras que foram providenciadas pelas empresas, oferta de álcool em gel 70, turnos diferenciados e aproveitamento até de locais que antes eram para descanso para as refeições com o objetivo de evitar aglomerações.


Segundo Souza, a fase é de adaptação, mas se mostra positiva. "Temos que entender o potencial do vírus e temos que contê-lo. As empresas vão passar por momentos difíceis, como ter que suspender contratos, fazer a  redução de jornadas e precisar da ajuda do sindicato", afirma. 


Presente em gôndolas de supermercados, em elevadores, caixas de supermercados, cozinhas industriais, mobílias e oficinas mecânicas, a metalurgia absorve grande da mão de obra de trabalhadores. Para Souza, a curto prazo, ainda estão sendo concedidas férias, banco de horas negativo como instrumentos para manter os empregos nessa hora. "Mas todos temos que nos proteger ao máximo e torcer para que uma vacina eficaz seja encontrada para conter o vírus o mais rápido possível e nos dar tranquilidade". 


O papel e a palavra dos sindicatos

O presidente do Sincoval, Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Ovhanes Gava, diz que os ânimos dos empresários estão alterados com todos os acontecimentos e com razão. "Estão realmente preocupados. Há um percentual favorável à manutenção da quarentena, mas há também aqueles que necessitam retornar". Uma pesquisa no site do Sincoval, na parte de notícias, tem como objetivo aferir junto aos empresários de Londrina e região quanto a crise provocada pelo isolamento social devido ao coronavírus afetou ou afetará a saúde financeira das empresas. "Queremos trazer perspectivas, mas para esse ano já não falamos mais em crescimento, e sim decréscimo", alerta. 


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Marcos Zanutto/ Arquivo Folha 10-08-2018
 


Gava cita pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), publicada na sexta (17), em que se observa que o índice de inadimplência cresceu 70%. De acordo com os dados divulgados,  o número de endividados no Paraná já dá sinais de elevação por causa das limitações econômicas decorrentes da pandemia do coronavírus.


Após dois meses de queda, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), voltou a subir no mês de abril e chegou a 90,02%. É o maior índice para o mês de abril de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2011. "O crédito vai acabar", prevê Gava. "E isso vai impactar em nossas negociações salariais", acrescenta. Independentemente de quando ocorra o retorna completo das atividades, Gava considera que a prática adotada na higiene dos supermercados nesse período de enfrentamento do corona seja uma referência. "Estou sendo muito incisivo na assepsia e devemos aproveitar esse know-how dos supermercados, assim como a assimilação do uso de máscaras se mostra natural entre todas as pessoas", diz. 


O lado mais fraco da corda

O vice-presidente do Sindecolon - Sindicato dos Empregados do Comércio em Londrina, Manuel Teodoro da Silva, teme que a corta arrebente do lado mais frágil e o empregado seja o mais lesado. "Não é só a pandemia que preocupa. Desde que a legislação trabalhista começou a sofrer essa série de mudanças, empregado só perde e ficamos indignados". Silva comenta que os empregados são desestimulados a contribuir com sindicato. "Estamos com vários pedidos de acordo, mas estamos com dificuldades financeiras e redução de pessoal", conta. E desabafa: "Não há almoço grátis".


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Fernando Cremonez - Ascom - CML
 


Silva reconhece também que os empregados do comércio que estão em casa seguem com a cabeça a mil e muito preocupados com o futuro. "Alguns empregadores irão se aproveitar da situação para colocar em mente o que já haviam planejado". Por outro lado, Silva reconhece que há empresas sérias e comprometidas em Londrina. "Umas são tão boas que os dias de feriado são disputados", valoriza.



Do recrutamento à demissão, há diferentes padrões de empregador e Silva considera que acima de tudo, nesse momento tão delicado, é essencial recordar o quanto a equipe que está na ativa é produtiva, ter confiança nela e lembrar que parceria é para os dois lados. "É uma hora do empregador se reinventar, ver mais qualidades em seu empregado,  recebi exemplos de venda por telefone e internet que estão até surpreendendo. "Todos têm que ganhar,  embora eu não veja com bons olhos o retorno, os ônibus são exemplo dos riscos, essa volta requer um planejamento muito bem feito. Tem muita gente falando e temos que dar ouvidos à Ciência", diz. 

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