VAGAS TEMPORÁRIAS -

Comércio ainda contrata para o final de ano

Segmentos como supermercados fazem as contratações temporárias a partir de dezembro; eventos natalinos devem aumentar as vendas

Janaina Avila - Especial para a Folha
Janaina Avila - Especial para a Folha

Com a chegada das festas de fim de ano, chega também a oportunidade para quem tenta entrar ou voltar para o mercado de trabalho. Em 2019, a oferta de vagas temporárias aumentou em 4%, em todo o território nacional em comparação ao ano anterior, de acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O Natal é a principal data comemorativa do varejo e a expectativa é que o Papai Noel, esse ano, movimente quase R$ 36 bilhões na economia.




Embora o período mais forte de contratações já tenha passado – a grande oferta de vagas acontece em outubro - alguns setores da economia gostam de deixar as contratações para a última hora, assegurados pelo aquecimento nas vendas, típico desse período que antecede as compras dos presentes e preparativos para confraternizações.






Em Londrina, não é diferente. De acordo com Elzo Carreri, Secretario Municipal do Trabalho, Emprego e Renda, além do aumento da oferta de vagas para empregos temporários em 2019 na cidade, ainda existem vagas disponíveis para quem vai começar a trabalhar em dezembro. “São contratos sazonais e os supermercados, por exemplo, acabam deixando para fazer as contratações no início de dezembro”, revela.




O ano que está terminando foi muito positivo para a cidade no que diz respeito ao emprego e vagas temporárias. “Londrina conta com muitos eventos e esse ano tivemos grandes obras públicas. São fatores que geram contratos a tempo determinado. Além disso, é um centro de consumo, o segundo mais importante do Paraná, com um comércio forte e cartela variada de serviços que acabam sendo influenciados muito positivamente pela renda desses trabalhadores”, diz Carreri.




Lojistas empolgados


O clima de otimismo também reverbera na Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina). Fernando Moraes, presidente da entidade, confirma o aumento no número de vagas no comércio. “Os lojistas estão bastante empolgados com o Natal deste ano. Além da campanha de Natal que as lojas já aderiram e todo o projeto do Londrinatal, os empresários estão atentos para, além de contratar, capacitar a equipe que já possuem”, comenta. A Acil vai realizar uma pesquisa de opinião no começo de dezembro para sentir, com a frieza dos números, a expectativa do comerciante para este final de ano. “Com certeza, as decorações de Natal e a agenda de eventos irão trazer gente para Londrina, consumidores da região e também o próprio londrinense que vai sair de casa e andar pelas ruas e, consequentemente, fazer as suas compras no comércio”, avalia. Moraes também é diretor comercial do Móveis Brasília, uma das empresas da Cidade que ainda está com vagas para contratação de funcionários. “Nossa intenção é contratar como efetivo, não temporário. As vendas aumentaram”, justifica.




Administrando a crise


Para o vice-presidente do Sindecolon, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, Manuel Teodoro da Silva, empresas com funções que não exigem muito treinamento ainda estão contratando em dezembro. “Quem depende do treinamento do funcionário, dificilmente vai deixar a contratação para a última hora. Alguns setores têm muita dificuldade em fazer um planejamento e acabam postergando a contratação, só assumindo um funcionário quando têm certeza do movimento”, analisa. Para ele, as recentes mudanças na lei do trabalho intermitente não influenciam em nada as contratações de fim de ano e o otimismo dos empresários, passa longe da percepção do Sindicato. “As contratações seguem o ritmo normal do período, do que vemos todos os anos. O governo ainda não conseguiu criar novos empregos, continua administrando a crise”, analisa.


Para ele, a transformação de uma vaga temporária em efetiva, nem causa espanto. “A verdade é que as empresas já estão trabalhando com um quadro de funcionários restrito, já existe uma subcontratação”, completa. Teodoro da Silva reconhece o esforço dos vários personagens dessa história para facilitar a entrada dos jovens, principalmente, no mercado de trabalho, mas não deixa de lado a preocupação com os direitos do trabalhador. “Às vezes, acontece de sermos procurados quando o contrato temporário termina, na hora do acerto, com os ‘contratos avulsos’, sem registro. O setor está sem fiscalização”, lamenta.


Outra preocupação, é o achatamento da renda de quem está no primeiro emprego, com um salário base, para o comércio de R$ 1.275,00, para Londrina. Quem já trabalhou anteriormente, pode conseguir um contrato inicial, no comércio, com um salário de R$1.404,00.






Oferta de vagas temporárias aumentou 150% na região




A Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário) prevê um crescimento de 13,86% em oportunidades de trabalho até o final do ano, em comparação com 2018. São, segundo as contas da Associação, mais de 570 mil vagas o que daria, aproximadamente, uma vaga para cada 21 brasileiros que estão desempregados. Os setores que mais devem empregar no final de ano é o industrial e comercial, com destaque para as indústrias de moveis, química, alimentos e agronegócio.




O comércio também deve absorver uma parcela importante de trabalhadores. Vania Motta Bigas, diretora executiva da Focsi, empresa especializada na Prestação de Serviços de Recrutamento e Seleção, a oferta de vagas vem aumentando e na comparação com 2017, o aumento chega a 150% na região, graças ao bom desempenho do setor moveleiro, de alimentos, químico e ao agronegócio.




Na Focsi, por exemplo, ainda existem vagas disponíveis operacionais, como para auxiliares de produção, operadores de máquinas, empacotadores e vendedores. “As exigências aumentaram em relação aos perfis”, diz a executiva. “Atualmente, os perfis solicitados devem ter ensino médio completo e/ou cursos técnicos, além de experiência na atividade a ser executada, estabilidade profissional, habilidades de relacionamento interpessoal e pro atividade”, explica. O histórico de registros na Carteira de Trabalho também dá uma indicação do perfil do trabalhador: “Podemos diferenciar os profissionais que trabalham de forma temporária dos rotativos, através dos registros no documento. O trabalho temporário é uma grande oportunidade porque existe a chance da efetivação. Não existe mais o preconceito, o ‘sujar a carteira’ com um trabalho de só dois meses. As maiores empresas, multinacionais, todas contratam temporário. O candidato entra como temporário com uma grande chance de ser efetivado. Temos até gerentes que entraram como temporários e depois foram efetivados”, diz.




Vania Bigas, que também é conselheira fiscal da Asserttem, ainda conta que a todo momento surgem novas oportunidades de trabalho temporário. Quem ainda está procurando uma colocação, pode procurar a sua vaga nas várias agências de emprego, sempre com os documentos pessoais, manter os cadastros atualizados e também usar a internet, uma ferramenta a mais na busca de trabalho. O trabalho temporário, continua Bigas, é uma tradição no Natal e se repete em momentos de alta produtividade das empresas. “Os modelos de contratação giram em torno de 15 dias a 9 meses de contratação, depende da necessidade da empresa e do segmento”.




Definir um perfil do trabalhador não é tarefa fácil. “Geralmente, os profissionais temporários mantêm sua área de atuação e, em muitos casos, quando termina um contrato já iniciam outro para dar continuidade na vivência e experiência na área. Muitos profissionais que atuam de forma temporária e têm um bom desempenho, acabam recebendo propostas para outros cargos. Quem está estudando, por exemplo, quando termina a formação acabam sendo absorvidos pelas empresas”, explica.


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