Nos últimos anos, especialistas da área de Recursos Humanos e de administração de empresas discutem maneiras eficazes de se reter e atrair talentos para as corporações.
O perfil do trabalhador está mudando e as instituições que pretendem se utilizar de um pacote de benefícios como chamariz para conquistar esses profissionais terão que rever suas estratégias de sedução. Pelo menos é o que revela recente levantamento realizado pela Page Personnel, empresa de recrutamento especializado em profissionais de suporte à gestão e primeira gerência.
De acordo com o ''Mapa de Benefícios 2013'', elaborado pela companhia e que contou com a participação de cerca de 2.500 profissionais na América Latina entre, analistas, coordenadores e jovens gestores de diversos setores, com idades entre 20 a 30 anos, os funcionários ainda valorizam os planos de saúde, mas também estão de ''olho'' em novas possibilidades.
O levantamento procurou saber, por exemplo, quais benefícios os profissionais possuem e se realmente os valorizam ou desejam obter. De acordo com o estudo, mais da metade dos consultados (54,2%) têm participação nos lucros da empresa e 79,1% valorizam ou desejam ter o benefício.
Na sequência aparece previdência privada, com 37,5% de beneficiários e 60,2% que valorizam ou desejam ter um plano. Os que recebem algum subsídio para cursos ou bolsas de estudo representam 25,2% da amostra e 38,2% valorizam ou desejam ter esse auxílio. O 14º salário está presente na cesta de vantagens de 11,2% dos respondentes, enquanto 38,2% o almejam.
Segundo o diretor-executivo da Page Personnel, Roberto Picino, a utilização de benefícios pode ser uma ferramenta interessante para atrair e manter bons funcionários, mas é preciso mais do que vale alimentação ou transporte como de costume. ''As empresas precisam entender que os trabalhadores miram novas conquistas sociais e parte disto pode estar atrelada a um plano de recompensas mais atraente e sofisticado. A cesta de benefícios convencional já não atende aos anseios de boa parte dos candidatos consultados'', diz.
Para a professora da disciplina Psicologia Organizacional e do Trabalho do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Andrea Simone Schaack Berger, o mercado está com uma demanda baixa de profissionais competentes e ferramentas como participação nos lucros, a existência de um 14º salário ou a utilização do veículo da empresa, entre outros estímulos, são formas de garantir a atração e a manutenção de bons colaboradores.
Andrea defende que, além da falta de mão de obra, o nível de vida melhor também torna o trabalhador mais exigente. ''Os profissionais que sabem que dão conta do recado se sentem no direito de exigir e as empresas têm que estar prontas. Outro fator é que os indivíduos têm mais acesso ao consumo e com isso querem gastar mais, por isso desejam ganhar mais'', aponta.
Na visão da professora, a nova realidade apresentada pelo mercado - colaboradores mais exigentes quanto aos benefícios - está despertando uma nova mentalidade no empresariado, mas ainda, principalmente em Londrina e região há muito a se fazer. ''É preciso criar a consciência de que às vezes conceder um benefício desses pode sair mais barato do que perder um profissional, ter que contratar outro e ainda treiná-lo'', indica Andrea.

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