Código de ética pode sanar conflitos na empresa
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Kalinka Amorim <br> Reportagem Local 
Dentre os muitos desafios que batem à porta das empresas nos dias de hoje, a tarefa de lidar com pessoas ganha destaque. Focadas num ambiente organizacional mais seguro, ético e produtivo algumas empresas de Londrina vêm apostando na implantação de um documento que melhora a diminuição de conflitos e a tomada de decisões em situações de ''saias justas'': o Código de Ética, de Conduta ou de Postura. Independente da nomenclatura que recebe é uma tendência, recente, que tem evoluído gradativamente nas empresas.
Mas, o que deve nortear esse documento? Em muitos deles está inserido desde a forma de se vestir, relação com colegas de trabalho, fornecedores e clientes, formação de comitês de ética para avaliação e até punições a quem foge às regras. E mais: um exemplo prático de utilização do documento é na relação entre colaboradores da área de suprimentos e fornecedores. O código pode estabelecer limites no valor dos brindes oferecidos pelos fornecedores.
A presidente estadual da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-PR),
Sonia Gurgel, explica que esse tipo de atitude era mais comum em empresas multinacionais. O aquecimento da economia e a abertura das corporações a capitais estrangeiros, diz ela, favoreceram a disseminação nas corporações nacionais.
Sônia explica que a ação, além de favorecer as empresas também impulsiona uma mudança na sociedade. ''O Brasil precisa passar por uma transformação ética e alguns movimentos já têm acontecido a partir das empresas. Isso vai se disseminando e transformando a cultura da sociedade como um todo, porém requer paciência'', afirma.
Consistência no exemplo que vem de cima é o principal ponto que deve ser levado em consideração, conforme a especialista, para que a implementação seja eficaz.''Ser exemplo de conduta ética é fundamental. Não adianta uma empresa cobrar uma ação e fazer outra'', afirma. ''Se a diretoria der exemplos ruins como, usar um caixa dois ou até mesmo propina para conseguir um contrato, ou ainda, um suborno para não ser autuada nos impostos a equipe não terá motivação para cumprir com sua parte. Falar que um comportamento precisa ser cumprido à risca sem dar o exemplo não funciona'', enfatiza.
Sônia comenta que as empresas quando não possuem um código de postura e ética podem sofrer prejuízos motivacionais e financeiros grandes. A melhora nas relações internas entre chefias e equipes tendem são os primeiros reflexos positivos a serem notados, diz ela. Na hora das contratações o código de ética também surte efeitos positivos despertando o interesse das pessoas. ''Ambientes organizacionais que levam a ética a sério são mais competitivos. As pessoas sentem-se orgulhosas e valorizadas''.
Para o advogado especialista em Direito do Trabalho, Ed Nogueira de Azevedo, caso o empregador crie direitos diferentes ou superiores aos previstos em lei e depois não os cumpra, o empregado têm o direito de exigir judicialmente o que foi previsto e não cumprido'', frisa. Por outro lado, a criação de regras transparentes, de natureza pecuniária e comportamental, tende a gerar uma relação corporativa mais equilibrada, o que pode evitar demandas judiciais. Assim, o Regulamento Interno pode ser uma fonte de ações ou um meio para sua redução'', observa.(K.A.)


