Contratar uma empregada doméstica está cada vez mais difícil. Com a expansão do mercado de trabalho formal nos últimos anos, as domésticas com mais qualificação migraram para outros setores, com melhor remuneração e carga de trabalho moderada. Cobiçadas, as que permanecem na área descobriram as vantagens de ganhar como diaristas mesmo sem carteira assinada.
No Paraná, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), constatou um crescimento tímido da categoria nos últimos anos, porém é grande o número de quem trabalha na informalidade. Em 2009, o Estado tinha 421.006 trabalhadores domésticos, dos quais 73% (307.431) atuavam sem carteira assinada e 27% (113.575) com registro em carteira. Em 1999, eram 334.823, dos quais 20% (67.348) tinham carteira assinada e 80% atuavam como informais (267.475).
Ns avaliação do economista do Dieese, Sandro Silva, de 2004 para cá, os estudos indicam que houve uma migração dos trabalhadores domésticos para outros segmentos que apresentam melhor remuneração. ''Está cada vez mais difícil contratar uma doméstica por conta da expansão econômica e também porque muitas optam pela informalidade para poder ter uma renda maior'', diz ele. Outro aspecto observado por ele é a questão da qualificação. Muitas empregadas estão voltando a estudar para conseguir um emprego melhor.
O caso de Lílian Rico Ramires de Lara ilustra bem esta situação. Aos 46 anos ela trabalha como diarista de segunda a sexta-feira, com exceção da quarta-feira que deixa livre para resolver assuntos pessoais. Todos os dias a rotina é a mesma, das 9 às 15 horas ela atende um local e, das 15h30 em diante, outro, o que totaliza por semana mais de oito casas.
Lílian já passou pela experiência de ter carteira assinada, como empregada doméstica, durante quatro anos, e há oito, resolveu ser livre de horários e da imposição de regras que tinha antes.'' Deixei de ser doméstica porque trabalhava aos sábados, feriados e às vezes até aos domingos e isso me cansava bastante'', conta ela, que fez um curso de capacitação.
''Fiz um curso de secretária do lar e percebi que ser diarista era mais viável e rentável. Meu salário era mais que o mínimo das domésticas na época, mas como diarista consigo ganhar mais de R$ 1 mil por mês e eu mesma faço meus horários'', comemora. Para conseguir atender a demanda das clientes Lílian vai trabalhar com carro próprio. ''É mais prático, mais rápido e compensa. Não preciso perder tempo andando de ônibus'', diz.

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