Cinco dicas para salões de beleza enfrentarem a quarentena

Especialistas do Sebrae prepararam orientações que podem ser aplicadas pelos microempreendedores enquanto os salões permanecerem fechados

Mariana Presser/ Estagiária/ Com Assessoria de Imprensa
Mariana Presser/ Estagiária/ Com Assessoria de Imprensa

Segmento que emprega um milhão de profissionais formalizados, os salões de beleza estão entre as áreas mais sensíveis à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.


Em diversos estados a orientação dos governos é para que comércios fechem, por pelo menos 15 dias. Nesse contexto, preocupado com os efeitos da falta de clientes para o setor, o Sebrae elaborou dicas para que os empreendedores possam reduzir as perdas desse período.




A coordenadora nacional da cadeia produtiva de beleza do Sebrae, Andrezza Torres, explica que a situação é totalmente atípica e demanda uma atenção especial de todos os setores da economia. “Nunca vivemos um momento como esse, é certo que vamos nos recuperar, mas temos que manter a paciência, ficar atentos às informações oficiais e aproveitar esse tempo para aplicar algumas ações de contenção de crise”, afirma.


Confira abaixo as dicas baseadas em estudos do Sebrae na área de beleza:


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1º Revise os custos fixos do salão de beleza: diante da suspensão do atendimento ao cliente, é hora de colocar no papel todos os gastos mensais, tais como telefone, internet, tv a cabo, manutenção de equipamentos. Se for dispensável, é hora de cortar ou suspender assinatura.


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2º Faça uma reorganização administrativa: é um momento oportuno para colocar a casa em ordem do ponto de vista da gestão. Faça um levantamento minucioso de estoque, reveja o planejamento de compras. Ordene pelo prazo de validade, os produtos que devem ser usados primeiro, assim que o negócio voltar a funcionar. Repense todos os gastos, caso precise de um empréstimo para se manter em funcionamento, busque auxílio de agentes bancários especializados.


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3º Organize seu conjunto de clientes: aproveite o tempo livre para conhecer melhor o perfil de quem procura o seu salão. Conte com ajuda de seus colaboradores, façam uma videoconferência e estabeleçam as principais características dos clientes: onde moram, quais serviços são mais procurados, preferências por produtos... Essas informações serão peças-chave para os próximos passos. Construam juntos uma lista de clientes fiéis.


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4º Mantenha o contato com os clientes aquecido. Se o seu salão ainda não possui redes sociais esse é o momento de criar seus perfis. Mantenha esses canais de contato sempre atualizados, publique informações sobre cuidados com a beleza, de acordo com os serviços que seu salão oferece. Use o Whatsapp para enviar dicas para as clientes, além de disponibilizar produtos de beleza para venda online. Por mais que essas vendas não sejam significativas para o faturamento, elas mantêm o vínculo com o cliente.


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5º Reinvente: use o tempo que ficar sem receber clientes na loja física para repaginar o local. Não estamos falando de grandes reformas, mas uma boa faxina no espaço, pintar uma parede, mudar a disposição do mobiliário, comprar um item de decoração charmoso e usar plantas, por exemplo, são pequenas ações que fazem a diferença quando o negócio reabrir.


É preciso repensar o modelo de negócio



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A consultora do Sebrae/PR, Liciana Pedroso, afirma que estamos vivendo um momento bem desafiador e novo para todos os tipos de segmentos econômicos. “Temos que nos readequar e nos reinventar. As cinco dicas divulgadas pelo Sebrae se complementam, um fato leva o outro. É um momento no qual os salões de beleza precisam parar para repensar o seu modelo de negócio, fazer um planejamento da empresa, e selecionar alternativas que podem ser implementadas”, explica.


Segundo a consultora o ramo de salões de beleza é muito significativo e disseminado, eles estão presentes em todas as cidades do Brasil, empregando grande mão-de-obra. “Desde os grandes salões até os menores empresários e autônomos, passam por todas as cadeias na questão de economia no segmento de beleza. Olhando para dentro dessa significância, nós estudamos o que o setor precisa realmente e em como ele deve se estruturar para a retomada de atividades”, conta.


Liciana destaca que a palavra negociação é primordial neste momento de reclusão. “Os empresários devem pensar nos custos fixos e nos custos variáveis, no que ele precisa comprar, repor e investir. É importante também que as pessoas usem de ferramentas gratuitas para manterem uma proximidade com os clientes, as mídias sociais ajudam a não perder o contato, e auxiliam para que quando as coisas voltarem a funcionar novamente, as relações comerciais voltem a se estabelecer de uma forma mais natural”, aconselha.


Ela ainda recomenda que as pessoas utilizem este tempo em que estão reclusas de suas atividades, para buscar informações e para se capacitarem. “As pessoas precisam parar e pensar como podem agregar valor aos seus serviços mesmo diante de uma crise, este é um dos maiores desafios econômicos”, completa.


Donos de salões falam de alternativas


José Neuro Turcatto e Maria Zizeuda são proprietários de salões de beleza, ele em Curitiba e ela em Londrina. Ambos mantêm contato com os clientes por redes sociais para compartilharem informações e manterem um vínculo profissional.


Turcatto explica que enfrentar este período de paralisação é bastante complicado, ele conta que os fluxos de caixa são curtos e não duram por muito tempo. “A alternativa que encontramos foi continuar a vender nossos produtos de marca própria, além de atender alguns clientes individualmente, tomando os devidos cuidados de higienização, por “homecare”.Temos a sorte de ter essa linha própria e termos clientes fiéis, conseguimos desta maneira manter um faturamento mínimo”, explica o empresário.


Maria Zizeuda, conta que algumas de suas contas vão ficar pendentes por conta do baixo movimento do caixa. “Estou pensando em fazer algumas promoções via redes sociais para manter o salão com visibilidade e aumentar o fluxo do caixa. É uma crise que afeta a todos, precisamos buscar alternativas para passar por esta fase da melhor maneira possível”, acrescenta.


Roseli Aparecida, funcionária pública de um Hospital em Londrina, comenta que para muitas mulheres, o salão de beleza é uma coisa de primeira necessidade. “Temos uma imensa variedade de salões na cidade e chega no final de semana você não encontra horário vago em nenhum, é preciso sempre marcar antecipadamente. Agora, com tudo fechado, uma mulher pode ficar um mês ou mais sem ir ao salão. Os cabelos brancos estão aparecendo, as progressivas estão acabando, as unhas estão ficando indecentes, e com certeza, as mulheres estão sentindo muita falta”, opina.


Ela ainda diz, que o salão é considerado por muitos um espaço de lazer. “Uma dona de casa, que trabalha o dia todo na semana, espera ansiosamente o sábado para poder ir ao salão, relaxar, conversar com as amigas e poder se sentir mais bonita. A mulher que trabalha fora, também gosta de estar bem apresentável e poder ir trabalhar com a autoestima elevada. Com o fechamento dos salões de beleza o impacto psicológico é grande e a autoestima de muitas mulheres pode ficar abalada”, complementa.




Supervisão: Célia Musilli/ Editora

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