Carreira pública atrai cada vez mais jovens
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Não é exagero dizer que o Brasil é o País do concurso público. Só para este ano, estima-se que sejam abertas algo entre 120 mil e 130 mil vagas nas mais diversas esferas. Em alguns setores não é preciso sequer uma formação de nível superior.
A carreira no funcionalismo público começa com bons salários iniciais, que ainda vêm acompanhados de vários benefícios. Além dos valores adicionais, o servidor ainda conta com a possibilidade de obter aumentos nos vencimentos em virtude do tempo de serviço e a cada melhoria na qualificação profissional. Os atrativos, segundo especialistas, não param por aí, também há a tão sonhada estabilidade que possibilita uma carreira sólida.
Tantas vantagens têm atraído cada vez mais jovens, muitos deles estão abdicando de cursar faculdades e universidades para conseguir uma vaga de trabalho em instituições públicas.
Paulo César Garcia de Souza, de 21 anos, é um desses exemplos. Aguardando a realização da segunda fase do concurso da Polícia Militar, o jovem conta que sempre sonhou em ser engenheiro civil, mas não alcançou uma das vagas no vestibular 2011. No ano passado, até iniciou o curso de direito, mas acabou abrindo mão de tudo. ''Depois que não passei em engenharia, comecei a ver outras opções e passei a querer direito, mas pensei que se fizesse um concurso público antes poderia ser mais interessante para o meu futuro'', diz.
O concurseiro reconhece que ser um policial militar não é algo que planeja fazer para vida toda. Mas, com um salário inicial de R$ 3.460, ele pretende retomar os estudos. ''Com esse dinheiro poderei voltar a fazer direito. O curso abrirá novas portas em concursos públicos, já que a maioria deles exigem formação superior'', aponta.
História semelhante tem a técnica de secretaria do Tribunal de Justiça do Paraná, Marcela Gonçalves Cunha Negri, de 30 anos, de Cambé (Norte). Ela atua desde 2008 como funcionária pública.
Logo após se formar no ensino médio tirou cerca de dois anos só para estudar para concursos públicos. A aprovação veio em 2005 e até assumir o cargo mais três anos. Apesar de todo o tempo esperando, Marcela garante que não se arrepende de nada. ''Faria tudo novamente, valeu muito a pena, hoje tenho uma independência financeira que provavelmente não teria caso fizesse um curso superior ao invés de concurso.''
Desde 2009, Marcela cursa direito. Agora, perto de se formar, faz novos planos dentro do funcionalismo público. A ideia é tentar outros concursos, que exijam esta graduação e possibilitam salários ainda maiores.
Quem também deixou a possibilidade de uma vida universitária de lado e atualmente se dedica a concursos públicos, é Thaiana Konig, de 29 anos. Ela conta que já tentou cursar nutrição e depois biologia, mas não chegou a concluir nenhuma das formações. ''Da primeira vez não era bem o que queria e da segunda tive que parar porque engravidei. Hoje, com uma filha, pensei que talvez fosse melhor tentar concursos e conseguir uma estabilidade financeira'', argumenta.
Thaiana conta que tem tentado os mais diversos concursos, o mais recente foi para agente penitenciário federal. Se for aprovada sabe que exercerá uma função completamente diferente das que ocuparia caso tivesse concluído os cursos de graduação, no entanto, não acredita em uma possível frustração na carreira com o passar dos anos. ''Sempre gostei dessa área de segurança, se for aprovada, será o melhor para mim'', vislumbra.


