''Sou brasileiro e não desisto nunca.'' Essa frase, por vários dias, não saiu da cabeça de Edvaldo Alves, 21 anos, que trabalhou duro como auxiliar de pizzaiolo e de garçom para conseguir bancar seu sustento e seus estudos. O motivo de tanto esforço: a realização do sonho de falar fluentemente o inglês e conhecer o mundo a bordo de um navio.
Ele uniu sua experiência profissional na área da cozinha e tornou-se tripulante. Na primeira experiência cuidava do buffet, preparava o café da manhã e lavava muita louça. Mas o reconhecimento veio rápido. ''Com dois meses de trabalho duro fui promovido para assistente de garçom e ajudava a montar a mesa, a cuidar da limpeza e do brilho dos talheres e a servir todos os passageiros de minha sessão'', conta. ''Antes de desembarcar fui promovido a garçom que é como embarcarei no próximo cruzeiro.''
A vontade de fazer parte de viagens pelo mundo todo e ainda receber em euros fizeram até com que o rapaz superasse a difícil situação de viver e trabalhar em um navio. ''Quando uma pessoa tem um sonho, qualquer coisa que seja difícil pode ser superada. Nada atrapalha, nem mesmo os enjoos, as constantes horas de trabalho'', comenta. Dos 60 tripulantes que embarcaram no mesmo dia que Edvaldo, apenas 10 perseveraram durante todo o contrato. Ele era o único brasileiro.
Tanta persistência, compensou. ''Entrei ganhando 510 euros e meu salário para o próximo cruzeiro será de 2.010 euros. Na última temporada consegui embolsar R$ 45 mil.''
Alegria aos passageiros
Vânia Fernandes, 26 anos, também embarcou no sonho dos navios. Ela é responsável pela alegria e o entretenimento de todos os passageiros dos cruzeiros em que trabalha, organizando concursos, jogos de competição, brincadeiras, aulas de dança e tudo que seja relacionado a alegria deles.
Vânia encontrou na vida de tripulante sua realização profissional. ''Faço algo que sempre gostei, que é animação, e, de lambuja, ainda conheço muita gente, culturas diferentes e tenho a oportunidade de aperfeiçoar meu inglês e aprender outro idioma.''
Como tudo dentro de um navio acontece muito rápido, em alguns casos é preciso atenção redobrada com o comportamento e com as emoções. ''O navio é seu trabalho, sua casa, seu lazer, sua vida pessoal, é tudo. Com isso, você pode ir ao extremo dos sentimentos, se sentir muito bem ou muito mal, mas isso depende exclusivamente de você e se souber aproveitar é uma oportunidade e tanto.''
Experiências Culturais
As longas horas de trabalho e o estresse de ficar fechado dentro de um navio são facilmente compensadas por Anderson Batista da Silva, 25 anos, que tem o cargo de segundo cozinheiro e vai repetir pela terceira vez a experiência de embarcar em um navio internacional. ''Mesmo trabalhando bastante, quando se trabalha num navio, você se motiva a trabalhar porque sabe que a cada parada, irá conhecer um país diferente e as experiências culturais compensam qualquer cansaço'', relata.
Na última temporada, além de conseguir guardar R$ 20 mil, fazendo a reposição de alimentos no buffet 24 horas do navio, ele também conheceu 62 países. Com o dinheiro do trabalho, quitou dívidas antigas, levou seus pais para conhecerem a Bahia e aperfeiçoou seus conhecimentos gastronômicos. ''Investi em minha qualificação profissional com uma especialização em chef de cozinha que realizei em Curitiba.''

mockup