As panificadoras estão deixando de ser apenas estabelecimentos responsáveis pela fabricação e venda de pães fresquinhos, bolos, doces e outras guloseimas. Elas tornaram-se ambientes agradáveis de convivência e ponto de encontro entre amigos e familiares. Além do que, fazem parte de um setor onde não há crise, pelo contrário, os empresários do ramo só falam em aprimoramento e crescimento constantes.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Panificação (Abip) apontam que aproximadamente 63,2 mil panificadoras e confeitarias compõem o mercado no Brasil. Em 2010, o faturamento estimado do setor foi de R$ 56,3 bilhões, 13,7% a mais, comparado ao período anterior, e o número de postos de empregos gerados aumentou 3,40%. Isso representa 25 mil funcionários contratados. Assim o setor gera cerca de 758 mil empregos diretos e 1,8 milhão de forma indireta. Contudo, ainda se percebe uma defasagem de cerca de 25 mil postos no setor que poderiam estar preenchidos se houvesse maior investimento na qualificação de mão de obra.
Em Londrina, as vagas, de acordo com o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Norte do Paraná (Sindpanp), Itamar Carlos Ferreira, podem chegar a 300 empregos diretos. Mas, segundo ele, o setor de panificação também vive um apagão de mão de obra.
''O mercado está ávido por novos profissionais. Há no ramo da panificação uma nítida evidência de que estamos com apagão de mão de obra. Londrina concentra 400 panificadoras e necessita de profissionais com perfil inovador'', afirma.
Ferreira alega que antigamente a profissão vinha de pai para filho, mas o conceito mudou. ''Os empresários perceberam que, a medida que levam para sua panificadora o profissional que sai das cadeiras escolares, com mente aberta, os negócios melhoram. Pensamos que num futuro breve, teremos não apenas o padeiro e confeiteiro, mas técnicos em panificação e confeitaria'', presume.
Qualificação e treinamento Nos últimos cinco anos o papel do gourmet passou a ser muito valorizado, com isso, a profissão do panificador também. E a exemplo de qualquer outra atividade requer treinamento e qualificação. ''Os profissionais que entram no mercado precisam trabalhar a técnica, o planejamento e a criatividade. Precisam ter qualificação adequada para operar as máquinas e a automatização que a tecnologia trouxe. Isso aumenta a qualidade e a produtividade do serviço oferecido em qualquer indústria'', afirma o gerente comercial do Senai Alexandre Lourenço Ferreira.
Para ele, a criatividade também faz parte da qualidade dos produtos. '' Não adianta fazer um produto com peso, sabor, mas sem aparência. A estética também faz parte da qualidade dos produtos para que a venda se concretize'', o gerente do Senai.
Todos esses quesitos, de acordo com o Ferreira, são ensinados durante o curso de Aprendizagem de Padeiro e Confeiteiro, disponibilizado pelo Senai em parceria com o Sindpanp, gratuitamente a jovens de 14 a 24 anos. Entre as disciplinas, que mais se destacam estão: boas práticas em manipulação de alimentos, panificação e confeitaria, qualidade e produtividade, saúde e segurança no trabalho, relação interpessoal, educação ambiental, matemática e gestão de Pessoas. ''O curso possibilita ao aluno desde a formação técnica profissional até conhecimentos em gestão administrativa. No futuro esse aprendiz terá total condições de gerenciar seu próprio negócio'', diz.
Para ingressar no curso os jovens passam por um processo seletivo, com uma avaliação teórica e, devem estar, preferencialmente cursando o 1º ano do ensino médio.

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