Curitiba - Faltando um ano para se formar no curso de Pilotagem, a estudante Thais Caroline Zuccoli faz planos para o futuro. O curso no Centro Tecnológico demora três anos e quando concluir ela pretende trabalhar como instrutora em uma escola de aviação para acumular horas de voo e depois se candidatar para entrar em uma empresa de linhas aéreas. A maringaense é graduada em Enfermagem, mas nem chegou a trabalhar na área. "Comecei o curso de comissária de voo em 2012 e logo me despertou a vontade de pilotar", comentou.
Ela também conclui o curso de comissária, mas não exerceu a atividade e partiu para o curso de pilotagem. A motivação foi a busca por uma profissão que representa superação. "Cada dia a gente lida com uma situação diferente. É um mundo totalmente novo para nós. Isso é gratificante", admitiu. Thais ainda considera surpreendente ver outras mulheres na salas de aula dos cursos de pilotagem, aeroclubes e nos cockpits. "Eu e minhas colegas procuramos desempenhar a profissão da melhor maneira possível para alçar voos cada vez mais altos, em todos os sentidos", afirmou.
A profissão de piloto de avião é a realização de um sonho para a mineira Bethânia Porto Pinto, uma das 11 comandantes mulheres da AZUL. Desde criança ela queria abraçar essa carreira, que começou aos 17 anos, com aulas no aeroclube de Belo Horizonte. De lá para cá se passaram 20 anos e muita dedicação em cursos e horas de voo para se tornar comandante de uma empresa de linhas aéreas.
Ela disse que a profissão exige que a mulher tenha uma postura firme e decidida e também é preciso ser sagaz. Uma das vantagens de trabalhar em linhas aéreas é a possibilidade de conhecer lugares e culturas diferentes. A mineira concordou que uma das dificuldades é conciliar a vida pessoal com as escalas de trabalho. "A gente tem que fazer escolhas. Eu já passei Natal e aniversário fora de casa", contou.
Bethânia lembrou que muita gente estranha ver mulheres pilotando aviões. "O mundo ainda é machista, A gente tem que fazer a nossa parte e mostrar que somos capazes", ensinou. Entre os colegas de empresa, ela disse que as pilotos são bem aceitas. Mas em uma ocasião em que toda a tripulação era do sexo feminino, uma passageira reclamou e disse que deveria ter um homem na equipe.
A comandante é solteira e ela acredita que a profissão pode ser ajustada ao casamento e à maternidade porque as empresas têm diferentes escalas para auxiliar as funcionárias mulheres. Um exemplo são as escalas para as mães que estão amamentando os filhos. (A.D.C.)

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