Bullying também ocorre no ambiente de trabalho
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domingo, 12 de junho de 2011
Kalinka Amorim <br> Reportagem Local <br> 
O bullying, ou intimidação, não se restringe apenas ao universo escolar. Este tipo de comportamento ''violento'' começou entre os estudantes, mas está presente também nas empresas. As formas de agressão podem, muitas vezes, ser sutis, como não passar informações completas sobre os trabalhos a serem desenvolvidos, isolar colaboradores e espalhar rumores ou fofocas. Apelidos como ''puxa saco'', ''enrolador'', ''queridinho do chefe'' e ''preguiçoso'', são formas utilizadas para o mesmo tipo de violência no mundo corporativo.
As agressões costumam aparecer de forma silenciosa, porém com as mesmas consequências do bullying escolar: isolamento, queda de rendimento, baixa autoestima e depressão. ''Todo esse contexto gera na empresa uma imagem negativa do profissional perseguido. Isso amplia e compromete seriamente a reputação do profissional, seja ela positiva ou não. Esses atos agressivos, intencionais e repetitivos, que ocorrem sem motivação evidente geralmente começam a ocorrer quando um colega de trabalho se sente ameaçado'', explica o presidente da De Bernt Entschev Human Capital, Bernardo Entschev, de Curitiba.
Quem agride quer que o seu alvo se sinta infeliz, como na verdade ele deve se sentir. ''É provável que o agressor também tenha recebido este comportamento no passado e hoje descarregue no mais frágil a sua própria frustração'', argumenta Entschev, que é médico especialista em avaliações psicológicas e comportamentais.
De acordo com a psiquiatra Luciana Vargas Nunes, de Londrina, o bullying profissional vem sendo estudado há tempos, mas vem acontecendo com maior intensidade na última década devido ao aumento da competitividade no ambiente de trabalho e sua característica se assemelha com o assédio moral. ''Nos Estados Unidos e na Inglaterra o bullying é o termo que se usa para descrever assédio moral'', esclarece a especialista, complementando que o bullying é a discriminação feita por uma ou mais pessoas contra um indivíduo específico incapaz de se defender.
O assédio moral, ainda conforme a psiquiatra, diz respeito as agressões mais sutis e, portanto, mais difíceis de caracterizar e provar, qualquer que seja a sua procedência. ''Sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, dirigida a um ou mais subordinados, desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização'', argumenta.
No caso do bullying profissional, de acordo com a especialista, as consequências também afetam a vida pessoal adulta e consequentemente o desempenho na organização.''As consequências são crises de choro, sintomas ansiosos e de somatização como cefaleia e epigastralgia (dor de estômago), alteração de pressão arterial, depressão, queda no rendimento do trabalho, baixa autoestima e pensamentos eventuais de vingança. As vítimas de bullying têm também tendência de se isolar ou de se juntar com outros que sofram coisas parecidas'', explica.
Luciana faz um alerta. ''Se a pessoa já tem uma vulnerabilidade prévia a doenças mentais preexistentes, como transtornos depressivos, bipolar entre outros, um estresse no ambiente de trabalho pode ser um agravante a mais para que as crises surjam.''


