Benefício e baixa formação incentivam a informalidade
Para a supervisora comercial da agência de empregos Alternativa, Aline Rodrigues Coração, um dos motivos que favorecem a informalidade entre as pessoas com deficiência é o recebimento do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC-Loas), concedido pelo governo federal. Quem aceita trabalhar com carteira registrada perde o direito de recebê-lo. "Muitos deles acreditam que não é interessante, pois o começo é sempre com um salário mais baixo. E às vezes a diferença é de R$ 200 ou R$ 300 e eles preferem ficar em casa a ter de se deslocar e cumprir carga horária de trabalho", diz.
O BPC-Loas, no valor de R$ 880, atende o deficiente que comprove que a renda familiar mensal per capita (valor total ganho pela família dividido pelo número de pessoas) seja inferior a 25% do salário-mínimo (o que corresponde a R$ 181). Quando o deficiente é demitido, ele pode voltar a receber.
"O fato é que as pessoas não estão preparadas, tanto as pessoas com deficiência como também os recursos humanos, para a hora de receber essas pessoas", afirma a presidente do Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Londrina, Rita de Cássia Lopes. Ela defende que o incentivo à capacitação poderia ajudar a resolver o problema. "Mas desde que também se dê condições para isso", cobra.
De acordo com o estudo da consultoria de engajamento Santo Caos, cerca de 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência e 44,7% das PcD realizam atividades ocupacionais. A pesquisa foi realizada durante o segundo semestre de 2015, com 461 entrevistados entre pessoas com deficiência, gestores, opinião pública e especialistas do assunto, de 23 Estados brasileiros.(R.S.)





