Reinvenção que veio à tona neste período de pandemia, em que alguns setores da economia se veem ameaçados.

Fábio Souza, CEO e sócio da De Bernt, considera que é preciso cautela nesse processo, já que muitas vezes atravessamos ciclos de motivação. “Temos que cuidar para não ser uma decisão emocional, no calor do momento, em função de uma relação complexa com o gestor ou pressão por entrega de resultado.”

De acordo com ele, o principal sinal para buscar uma mudança na carreira é o alinhameEspecialistas em gestão de carreiras são unânimes ao afirmar que o autoconhecimento é o ingrediente principal que deve estar no processo envolvendo profissionais que desejam se reinventar na carreira.nto de valores e propósitos com o que se faz. “Quando a motivação e a vontade de sair da cama acabarem, acredito que seja hora de repensar com mais carinho e atenção.”

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. | Foto: Yuoak/ iStock

A headhunter e especialista em gestão de carreira Rosanne Martins considera que é preciso estar aberto e receptivo para novas possibilidades e desafios que transformem o profissional de forma positiva e os coloque mais próximo de objetivos. “O medo da mudança gera paralisia e frustrações, muitas vezes mantendo o profissional em baixa performance e desmotivado.”

Além do autoconhecimento, Rosanne destaca que o processo de reinvenção da carreira deve abranger a realização de cursos e o aprendizado de ferramentas que sejam aplicáveis na profissão, entre outros itens (leia mais no quadro o que dizem os especialistas).

Cursos podem ser todos aqueles que proporcionam ao profissional uma formação técnica (hardskills) para colocá-lo mais próximo ao seu objetivo. Por outro lado e de forma complementar, a participação em workshops, palestras e eventos que auxiliem a ampliação e o entendimento na definição de objetivos.”

Fábio Souza acrescenta que hoje em dia o desenvolvimento de competências socioemocionais faz sentido, independentemente da carreira. “Significa saber lidar com seus medos e receios, com a instabilidade natural do mercado, suas incertezas e tudo mais.”

O balanço das carreiras

A pandemia trouxe mudanças no mercado de trabalho e, segundo os especialistas, algumas carreiras devem sair fortalecidas e outras enfraquecidas após esse período.

Carreiras relacionadas à saúde, finanças e tecnologia devem ter crescimento, como cibersegurança, customer experience [profissional que trata do relacionamento da organização com os clientes], TI e diretor financeiro”, afirmou Fábio.

Por outro lado, todos os setores que dependem de excessiva interação humana ficariam mais difíceis de crescer, se não houver como digitalizar. “Como exemplos, aponto o varejo físico e academias de ginástica.”

Carreiras onde os profissionais que se adaptam com as novas tecnologias e redução de custos operacionais ficarão ainda mais fortalecidas. Já as carreiras comerciais com atividades externas, por conta da implementação do e-commerce que dispensa o contato direto entre as partes, ficarão enfraquecidas”, completa Rosanne Martins.

Diante dessa mudança nos relacionamentos profissionais, Rosanne considera que esse panorama demanda novas técnicas de comunicação e envolvimento em todos os níveis das organizações e na dinâmica cliente-empresa. “Isso vai exigir uma nova maneira de transmitir, receber informações e mesmo negociar, que atinja e sensibilize o interlocutor.”

Fábio acrescenta que a pandemia trouxe a necessidade imediata do autoconhecimento e do desenvolvimento de competências socioemocionais. “Saber lidar com o medo, ter empatia e estar preparado para um mundo em constante e aceleradas transformações”, citou.

Mudanças passam pelo currículo e as redes sociais

A relações públicas Juliana Paes buscou mentoria para se recolocar no mercado de trabalho
A relações públicas Juliana Paes buscou mentoria para se recolocar no mercado de trabalho | Foto: Arquivo pessoal

A relações públicas Juliana Paes, 29, buscou auxílio especializado de headhunters nesta quarentena e, por meio de mentoria online, recebeu orientações sobre diversos aspectos, como apresentação pessoal, formato do currículo e reformulação da rede social profissional, o LinkedIn.

Além disso, a mentoria focou muito o autoconhecimento, considerado por especialistas o ingrediente essencial para quem deseja se manter ou se recolocar no mercado de trabalho. “Nunca trabalhei como autônoma e a mentoria me abriu essa possibilidade. Sou muito inquieta e não me vejo seguindo carreira somente em uma empresa.”

Inquietude que a levou a pedir demissão de um emprego de quase três anos em um grande grupo da construção civil, onde trabalhava com treinamento de funcionários. Antes disso, Juliana trabalhou por dois anos na comunicação interna em uma multinacional. “Não produzia mais nada novo, precisava de novos desafios.”

Juliana deixou a estabilidade de lado e, no início do ano passado, embarcou para Portugal estudar inglês no instituto mais conceituado do mundo. Paralelamente, trabalhou com eventos, lidando com turistas de diversos países.

No início deste ano, Juliana voltou ao Brasil. Com mais bagagem cultural e experiências, começou a buscar recolocação profissional. Está em um processo seletivo, mas que foi congelado por conta da pandemia. “Pretendo iniciar a minha pós-graduação a distância em breve. O mercado está muito mais acirrado, tem que ser muito bom”, concluiu.

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. | Foto: Folha Arte
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