Globalização, envelhecimento da população, tendências sociais e tecnológicas e negócios nortearão as carreiras do futuro. É o que identifica a pesquisa Carreiras do Futuro, realizada pelo Programa de Estudos do Futuro (Profuturo) da Universidade de São Paulo (USP), que tem por missão auxiliar empresas e instituições públicas e privadas a aprimorar seus processos de planejamento.
O professor Daniel Estima de Carvalho, um dos responsáveis pela pesquisa, acredita que a crescente ênfase na inovação, a preocupação com o meio ambiente e a busca cada vez maior por qualidade de vida serão relevantes no delineamento das carreiras que estão surgindo por uma necessidade atual do mercado. Entre elas estão a de gerente de eco-relações, chief innovation officer, conselheiro de aposentadoria, entre outras (veja info).
Áreas do setor de serviços relacionadas à saúde, comunicação, internet, estética e viagens serão promissoras e importantes, especialmente como oportunidade de negócios para futuros empreendedores, afirma Estima.
A psicóloga do Colégio Maxi, Karisa Pereira Mattei, acredita que os profissionais do futuro deverão ter aptidões na área de gestão de informação e tecnologia, para ir de encontro com as necessidades nas áreas de serviços. Ela supõe que a demanda de atuação estará voltada tanto para a área da saúde quanto para a área do direito, da administração e contabilidade e o profissional que escolher uma dessas áreas terá que dar conta do volume de informações que serão geradas pelo rápido fluxo das informações.
De 10 áreas tradicionais de atuação mais prováveis de terem espaço crescente no mercado de trabalho até 2020, segundo a pesquisa, a engenharia aparece em seis colocações. E esse destaque, segundo Fernando Ciríaco, coordenador dos cursos de engenharia da Faculdade Pitágoras, é atribuído ao crescimento do Brasil aliado à sustentabilidade. Ele pensa que, para se desenvolver um país, uma região, é necessário pensar em profissões do futuro que foquem em inovação e responsabilidade social, e as engenharias de forma geral focam essas áreas.
''Temos que crescer de forma sustentável, não podemos destruir o que já existe, isso geraria um caos e acabaria com a qualidade de vida das pessoas. Um exemplo é a cidade de São Paulo, que por conta do crescimento desordenado enfrenta problemas de trânsito, poluição, saneamento básico. Se não investirmos na formação de engenheiros, isso poderá estar por toda a parte, além de ficarmos para trás em relação a países mais desenvolvidos'', afirma.
Profissional do crescimento
O profissional das engenharias, segundo Ciríaco, está envolvido praticamente em todos os setores da sociedade, como a construção de estradas, portos, aeroportos, metrôs, estádios, no fornecimento de energia elétrica, na inovação em tecnologias. '' As pessoas sempre querem mais. Mais conforto, tecnologia de ponta, estradas de primeira qualidade, entre outros fatores, e muitas vezes se esquecem que é nas engenharias que tudo isso se concentra''.
Fernado lembra que a área oferece grandes possibilidades de trabalho. ''Hoje temos no país 220 áreas de engenharias, que formam em média 32 mil engenheiros por ano. E a demanda por esses profissionais no país é de 50 mil vagas. Temos uma defasagem de quase 20 mil profissionais por ano''. Esse déficit, segundo ele, ocorre pelos rótulos que envolveram a profissão do engenheiro num passado bem recente.
''O engenheiro era visto como uma pessoa que não tinha vida social e nem contatos interpessoais, mas isso mudou. Hoje um profissional de engenharia está inserido em equipes multidisciplinares de trabalho, onde precisam ter bons relacionamentos, liderar equipes, e esses fatores chamam a atenção dos jovens que estão atentos no futuro''.
Um outro fator que tem estimulado a procura pela profissão são os acontecimentos no mundo, como a superlotação de cidades, o aquecimento global e fatores ambientais. '' A engenharia é uma profissão que agrega valor naquilo que faz e por isso é a profissão do futuro.''

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