As perspectivas é que contam
Chegar ao final de um processo seletivo com vagas ociosas não é uma particularidade da Universidade Estadual de Londrina (UEL). De acordo com dados do último Censo da Educação Superior, realizado em 2010, quase metade (49%) das vagas oferecidas nos vestibulares de universidades, centros universitários e faculdades não é ocupada no País. No Paraná, a cada 100 vagas oferecidas nos concursos, em média 53 são preenchidas.
"Sobram mais de um milhão de vagas anualmente nas universidades brasileiras", lembra o consultor educacional Renato Casagrande. Segundo ele, entre os motivos estão a abertura de um grande número de instituições de ensino superior nos últimos anos, que passaram a oferecer um número de vagas acima ao de alunos em condições de cursar uma universidade. Casagrande lembra ainda que com as facilidades oferecidas pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), muitos jovens desistem de tentar uma vaga em universidades públicas, que oferecem maior dificuldade nos processos seletivos, e partem direto para as instituições particulares.
O consultor não se surpreende com a inclusão de cursos como Fisioterapia e Enfermagem na relação daqueles com vagas remanescentes, pois prevê uma crise nas graduações na área de saúde. "Com exceção de Medicina, que ainda oferece possibilidade de retorno econômico, os demais exigem grandes investimentos de tempo e dinheiro (no caso das instituições particulares) e a remuneração oferecida pelo mercado de trabalho, de maneira geral, não é condizente. E o jovem de hoje é muito bem informado e faz uma análise mais racional no momento de escolher sua profissão. Ele leva em consideração a vocação, mas também olha para o mercado. O que é natural, pois muitos, ao se formarem, deparam-se com uma forte angústia e decepção", argumenta Casagrande.
Com a experiência de mais de 20 anos na área, o especialista em educação ressalta que é sempre o mercado que regula a procura pelos cursos. Ele cita como exemplo as engenharias, que caíram no ostracismo no passado e voltaram a ser muito procuradas nos últimos anos justamente pelas boas perspectivas de trabalho no País. "As boas oportunidades oferecidas pelos cursos tecnológicos também têm criado uma situação nova, que afeta os cursos tradicionais. Hoje o que contam são as perspectivas", reforça o consultor. (S.L.)





