Enquanto o Governo Federal aponta o mais baixo índice de desemprego – a média registrada em 2012 foi de 5,5%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) - e pleno emprego (quando o trabalhador fica um período curto sem trabalhar) no País, levantamentos apontam que o mercado não está tão favorável quando parece, até mesmo porque não houve um crescimento considerável do Produto Interno Bruto (PIB) neste período, apenas 0,9% com relação a 2011. Um dos principais motivos é a grande quantidade de vagas que continuam abertas pela falta de profissionais qualificados para o cargo.

Tentando mapear os cargos mais difíceis de serem preenchidos, a consultoria ManpowerGroup ouviu 38 mil empregadores em 42 países. Destes, o Brasil é o segundo com a maior dificuldade de ocupação das vagas devido à falta de profissionais capacitados. Enquanto a média mundial foi de 35% relatando o problema, o índice no Brasil foi de 68% dos empregadores, ficando atrás apenas do Japão, onde 85% dos empregadores enfrentam o problema.

As vagas mais difíceis de serem preenchidas são as de ocupações técnicas, seguida pelas funções de produção, contabilidade e finanças. Na lista ainda estão os trabalhos manuais, como soldadores e eletricistas, depois engenheiros e mecânicos(veja ranking nesta página). Os principais problemas indicados para a dificuldade em se preencher as vagas foram: falta de competência técnica (33%), falta de candidatos (31%) e falta de experiência (24%).

Em comparação aos empregadores dos demais países, os brasileiros têm mais dificuldade de achar pessoal qualificado que os sul-africanos, os guatemaltecos e os chineses, por exemplo. Nas Américas, o Brasil foi o País onde essa dificuldade mais foi reportada. A segunda colocada, a Argentina, vem bem atrás, com 41% dos empregadores relatando a falta de talentos.

Londrina

Um levantamento feito pela FOLHA em três grandes agências de emprego de Londrina apontou que a realidade do município não é muito diferente da revelada pela pesquisa. Segundo a coordenadora de recrutamento e seleção da Capital Humano, Gislene Velo, a classificação muda um pouco, mas as funções são praticamente as mesmas. "As vagas para cargos técnicos também estão em primeiro lugar. Porém, temos um grande déficit de pessoas para o ofício manual em geral, como costureiras, soldadores e mecânicos. No entanto, não são raras áreas em que, simplesmente, não existe profissional disponível."

Para minimizar o problema, os empregadores estão sendo mais flexíveis com relação a algumas competências e margem de salário. "Devido à escassez de mão de obra, os empregadores dessas áreas têm de negociar alguns benefícios para conseguir atrair ou reter o profissional. Muitos até abrem mão de determinada escolaridade ou formação específica de competência técnica", revela Gislene. Uma das saídas para driblar a dificuldade tem sido oferecer cursos de capacitação aos funcionários na própria empresa.

Segundo a coordenadora, outras medidas ainda são tomadas, como planos de carreira e promoções internas para evitar a busca de talentos fora da empresa.

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