Deixar o banco da universidade e administrar um consultório nem sempre é tarefa fácil. O fisioterapeuta César Parreira conta que aprendeu da pior maneira possível: errando. Em 1996, ele foi prestador de serviço na clínica de dois ex-professores. Depois de três anos, resolveu fazer uma sociedade e abrir a própria clínica. "Foi aí que os problemas começaram. A gente trabalhava com muitos convênios e não dava conta de administrar. Não sabíamos o que entrava, o que saía", explica.
Nos últimos quatro anos, Parreira limitou o número de consultas, enxugou os custos e passou a priorizar a satisfação do paciente. "São algumas noções de gestão empresarial que fazem a diferença." Ele diz que vê muitos recém-formados investindo alto em consultórios, mas que fecham em menos de um ano por não saber administrar. "Eles saem da faculdade e não conseguem clientes. Sabem que querem ganhar uma quantia por mês, mas não imaginam a quantidade de encargos que têm de pagar."
O fisioterapeuta e coordenador do curso de Fisioterapia no Instituto de Ensino Superior de Londrina (Inesul), Glauber Lopes Araújo, disse que a qualidade da grade das universidades, no geral, apresentou evolução, mas ele aconselha que os alunos busquem fora da universidade o máximo de conhecimento em gestão e empreendedorismo. "Na minha época, a faculdade trazia muita coisa teórica, pesada. Hoje, nós levamos administradores de clínicas, de hospitais, até a sala de aula para eles passarem dicas para os acadêmicos."
Segundo Araújo, é normal que profissionais novatos patinem, porém esta fase de adaptação não pode durar muito tempo. "Eu enfrentei muitas dificuldades, mas identifiquei esta carência e busquei me aperfeiçoar. Depois de terminar um curso de empreendedorismo no Sebrae, o desempenho da clínica mudou radicalmente." Nos 15 anos de carreira, Araújo conta que aprendeu a se desdobrar no cuidado aos pacientes e às finanças. "Exige um empenho um pouco maior, mas nada que um bom contador não ajude", completa.(C.F.)

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