Aprenda a trabalhar em grupo
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Magaléa Mazziotti<br> Reportagem Local 

Na última semana, o Pisa (Programme for International Student Assessment/Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) classificou os estudantes brasileiros na penúltima posição, com 412 pontos (na frente apenas da Tunísia com 382 pontos), entre 52 países e economias analisadas, no que se refere à competência de resolver problemas de maneira colaborativa. Tal resultado, mesmo sendo uma amostra envolvendo cerca de 125 mil jovens do 8º ano do ensino fundamental na faixa etária dos 15 anos de todo o mundo, chama atenção para uma das questões mais recorrentes no mercado de trabalho: a dificuldade de se trabalhar em grupo.
O profissional que se dá conta disso e decide trabalhar habilidades nesse sentido amplia substancialmente as oportunidades profissionais, além de se destacar de forma estratégica em qualquer organização. "O bem também contagia e os resultados de um grupo bem estimulado acabam podem incentivar outros trabalhadores, pois as pessoas podem mudar e melhorar se bem orientadas", assegura Lucilene Tomé Furlan, gerente do Sesi/IEL (Serviço Social da Indústria / Instituto Euvaldo Lodi) de Londrina. Ela conta que a metodologia do Colégio Sesi foi alterada há mais de 12 anos por conta desse tipo de demanda.
"A baixa produtividade reclamada pela indústria tem na dificuldade de trabalho em grupo uma das razões", informa. A atenção dedicada ao tema se nota na disposição dos alunos, que não recebem o conteúdo dispostos em carteiras individuais. Eles são organizados em grupos de cinco estudantes com idades diferentes, já que o trabalho é interseriado, e a liderança do grupo é revezada. "Nossa prerrogativa é valorizar a formação de um ser humano integral que fatalmente será o profissional capaz de trabalhar bem em equipe, porque respeitará o espaço do outro, a diversidade e, quando necessário, suprirá as deficiências de algum integrante visando a solução e o resultado coletivo", elenca.
A gerente conta que são essas habilidades que garantem aos egressos tamanha empregabilidade e relevância na comunidade. "Nossos alunos se diferenciam tanto no processo de seleção, quanto na entrega de resultados, mas acreditamos que é possível reverter essa posição do Brasil no ranking pondo em prática o verbo respeitar", indica. Respeitar a opinião do outro, respeitar o tempo de cada um em assimilar e executar cada tarefa, e respeitar a forma de ser e viver de cada um são ações que agregam ao ambiente laboral engajamento para a entrega de resultados em equipe.
Outro caminho praticado no colégio e que a gerente considera fundamental nesse aprimoramento para trabalhar bem em equipe é desenvolver o aspecto social. "Seja em trabalhos voluntários ou em projetos que beneficiam o coletivo, como algo relacionado à preservação do meio ambiente, por exemplo, são nessas oportunidades que nos colocamos no lugar do outro e nos preparamos para buscar soluções, ao invés de desculpas", constata.
É uma iniciativa de avaliação comparada, aplicada de forma amostra na faixa etária dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. É coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), havendo uma coordenação nacional em cada país participante. No Brasil, a coordenação do Pisa é responsabilidade do Inep.
A nota brasileira ficou bem distante da média de 500 pontos dos 32 países da OCDE. Outras nações da América do Sul, como o Chile e o Uruguai tiveram nota superior, com 457 e 443, respectivamente. A análise da proficiência dos estudantes mostrou também que cerca de 64% dos estudantes brasileiros têm desempenho baixo quando o assunto é resolver problemas de maneira colaborativa.


