Imagem ilustrativa da imagem Aperfeiçoamento para se destacar em 2018
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Para quem não tem um caminho, qualquer caminho serve? Errado. Ainda mais quando a questão envolve garantir ou ampliar a empregabilidade nos dias atuais. Em tempos de inteligência artificial e o conceito da indústria 4.0 se enfronhando de maneira acelerada na vida de quem é ou não voraz por tecnologia, somado a um contexto interno de grave e prolongado desemprego, querer buscar receitas certeiras para sobreviver é natural, haja vista a quantidade de publicações tratando de tendências ou emprego em alta para o ano que está por vir. Porém, os profissionais especializados em carreiras são os primeiros a alertarem para o fato disso não fazer mais sentido e sim um trabalho constante de aperfeiçoamento dentro daquilo que se tem talento e que está inserido nas demandas que o mercado apresenta.
A professora dos MBAs da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e coordenadora do curso de Analista em RH (Recursos Humanos) e Capacitação em RH em nível Brasil, Anna Cherubina Scofano, chama atenção para a complexidade da formação dos profissionais necessários aos modelos de negócio e produção que estão se configurando como parte do ciclo de autossustentabilidade das organizações. "São profissionais com formação ampla e atualizada permanentemente, até porque uma das competências mais buscadas pelas empresas é a capacidade de se manter motivado com os propósitos e objetivos da empresa o tempo todo. Eis um dos tesouros mais valorizados pelos tempos atuais, o engajamento", indica.
Justamente pela dificuldade em torno desse quesito, uma vez que depende da conjunção de fatores entre as características da empresa e o momento do negócio, com os objetivos e valores de cada colaborador, que a professora considera bastante arriscado abraçar uma carreira apenas por considerá-la oportuna. "Não é de hoje que o mundo evolui e algumas funções são dadas como em desuso. Entretanto, as pessoas que desempenhavam determinada atividade se reinventaram e vão prosseguir assim tanto por necessidade, quanto pela característica humana de se adaptar a partir das suas potencialidades. Não adianta se submeter a algo sem nenhuma identificação", sugere.
Anna cita como exemplo de atividades que desapareceram, como a de quem consertava máquinas de escrever. "Além do reparo naquele produto que caiu em desuso, o bom profissional utilizou e aprimorou uma série de outras habilidades, desde estratégias de negociação, ao atendimento, que seguem demandadas e quem detém o conhecimento continua sendo necessário", explica. O exemplo, no entanto, reforça essa característica multifacetada de toda a carreira. "Um designer, que dentro desse mundo tem inúmeras possibilidades, é um profissional resultante de um 'mix' entre artista plástico e TI (tecnologia da informação). Nossa educação possui um 'gap' muito grande para alcançar esse avanço tecnológico e entregar uma pessoa pronta, daí a importância da vontade de seguir buscando sempre essas ferramentas que vão ao encontro do propósito do que se quer ser e fazer", defende.
Reunir diferenciais que tornam você único na equipe de qualquer organização é o grande trunfo da carreira, que somando ao aprimoramento contínuo e integrado aos desafios que a sociedade apresenta, garantem o emprego de qualquer pessoa. "Na minha família, temos uma meta de aprender mandarim em cinco anos. E basta olhar para a importância crescente da China para entender que é uma estratégica interessante para toda e qualquer pessoa que busca se manter preparada para toda e qualquer oportunidade desses novos tempos", sugere o coach e mentor de executivos de alta performance Maurino Veiga.