Ao contrário das escolas tradicionais, em que o aluno estuda disciplinas voltadas ao vestibular, em instituições em que o ensino médio é realizado de forma integrada ao técnico a perspectiva é formar um cidadão e um profissional técnico. "O estudante também sai formado e com capacidade para passar em qualquer vestibular. A graduação, inclusive, pode ser feita também na própria instituição", garante Ricardo Töws, diretor de ensino, pesquisa e extensão do IFPR.
Alunos do curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, Matheus Vargas da Silva, de 17 anos, Rafael Vinicius da Silva, de 17, Myrella Vaenia Fernandes, de 20, e Deyse Sane Ota, de 17, estão no penúltimo ano do curso e não se arrependem da escolha.
"A cobrança de conteúdo, aqui, é muito maior. Ainda temos o contraturno para reforço e participarmos de projetos de iniciação científica. Sou bolsista do CNPQ desde o segundo ano", conta Matheus. Sem ter ideia, inicialmente, de que poderia conciliar seus conhecimentos para ganhar uma renda extra, agora o jovem comemora a conquista de uma vaga como estagiário no Ministério Público (MP). "Com o dinheiro que ganho, invisto nos meus estudos, para pagar cursos e comprar livros. Se não tivesse, seria bem mais difícil fazer tudo isso", diz.
Myrella fez o caminho inverso, recém finalizado o ensino médio em escola regular, optou por fazer o curso técnico integrado. "Eu posso dizer que o curso técnico é muito mais puxado que o tradicional. Os professores entram a fundo em cada disciplina. Se eu fosse fazer um vestibular agora, estaria bem mais preparada. Sem falar na nova profissão", diz a estudante, que passou no curso de Arquivologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e cursa ambos ao mesmo tempo. "Parte do dinheiro que ganho no estágio, ajudo em casa. Também uso para quando preciso comprar algo para mim."
Sem terem ideia da formação que receberiam, Deyse e Rafael contam que queriam sair do curso com uma certificação, mas vão sair com muito mais. "Estamos tendo uma formação para a vida", diz ela. Já Rafael vislumbra continuar os estudos em Engenharia, graças à participação em projetos de iniciação científica de robótica e de pesquisa e extensão. "Enquanto isso, com o conhecimento adquirido e a bolsa que recebo, tenho a oportunidade de comprar equipamentos eletrônicos que não conseguiria. Minha irmã fez faculdade e trabalhou como vendedora ao mesmo tempo e percebi o quanto as dificuldades que ela enfrentou", completa. (M.T.)

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