A estudante de Relações Públicas na UEL Gabriela Bosco foi uma das que optaram por começar um novo estágio ao invés de descansar neste início de ano
A estudante de Relações Públicas na UEL Gabriela Bosco foi uma das que optaram por começar um novo estágio ao invés de descansar neste início de ano | Foto: Marcos Zanutto



O término de contratos de estágio com o fim do ano, o recesso das instituições de ensino e o menor interesse e disponibilidade de estudantes em época de férias - principalmente os que estudam fora de suas cidades de origem - fazem com que as vagas disponíveis aumentem entre dezembro e fevereiro nos bancos de estágio.

O levantamento mais recente do CIEE-PR (Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná) mostrava, até o dia 21 de janeiro, 2,6 mil vagas disponíveis no Estado - 1.054 em Curitiba, 312 na Região Metropolitana e 1.247 no interior.

Em Londrina, 219 estavam abertas, sem contar outras mais de 30 já em fase de emissão de contratos - um total cerca de 25% maior do que no restante do ano, segundo estimativa de Roseli da Silva Marques, coordenadora regional do CIEE em Londrina.

A concorrência também é menor. De acordo com a coordenadora, a queda da procura costuma ser de até 40% - o que significa menos currículos parados na pilha. "Quem se interessa e vem buscar tem uma chance maior", explica. "Várias instituições retomam as aulas apenas depois da segunda quinzena de fevereiro e há até as que recomeçam somente após Carnaval. É uma ótima oportunidade", diz.

Comprometimento

Estudante de Relações Públicas na UEL (Universidade Estadual de Londrina), a paulista Gabriela Bosco, 20 anos, foi uma das que optaram por começar um novo estágio ao invés de descansar neste início de ano. Ela reconhece que foi com certa tristeza que abriu mão de viajar depois de um calendário intenso na universidade, mas disse que a oportunidade de ter uma experiência na área a que almeja - eventos, na Embrapa Londrina - falou mais alto.

"A gente tem de pesar quando chega a hora de fazer as coisas", reflete. "O estágio é superimportante, porque incentiva o aluno a não ficar apenas na teoria. É quando você começa a ver como as coisas funcionam na prática e é uma das etapas necessárias para ser um bom profissional", diz.

Este tipo de demonstração de interesse costuma trazer recompensas, segundo Giulia Forte, selecionadora do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), em São Paulo. Ela lembra que, neste época do ano, mesmo alguns candidatos que se inscrevem acabam faltando ao processo de seleção.

"Aqueles que aparecem têm uma concorrência menor, o que é um bônus. Mas as empresas também acabam tendo a impressão de que o candidato é uma pessoa interessada e leva em conta que, mesmo em período de férias, ele se comprometeu", conta. "Há diversas competências que as empresas buscam, mas acredito que o comprometimento é o passo inicial. A empresa vê com outros olhos quem realmente se compromete."

Analista de recursos humanos da Solintel, Patricia Vengrus, confirma que esse esforço não passa despercebido na empresa. "Realmente temos dificuldades em contratar estagiários nesta época do ano. Ela começa no meio de dezembro e muitas vezes só vamos conseguir finalizar o processo em fevereiro, quando as aulas já recomeçaram", conta Vengrus. "Realmente vemos esses candidatos com bons olhos. Eles abrem mão de descansar ou viajar depois de esperar um ano inteiro. Isso faz diferença para a gente, porque mostra que estão realmente dispostos", conta.

Chances

O sacrifício das férias pode render mais do que um período de estágio: segundo Giulia Forte, do Nube, até 60% dos estagiários são efetivados nas empresas. "É uma chance de acessar um futuro na empresa e construir uma carreira profissional", diz.

Para Giulia, embora o mercado de trabalho e o perfil dos jovens profissionais venha mudando, as empresas ainda buscam pessoas que entrem e se estabeleçam em seus quadros. A oportunidade de trabalhar com o profissional ainda em formação é valorizada.

"Quanto mais cru o estudante vier, mais a empresa consegue prepará-lo de acordo com sua cultura e suas necessidades", explica.

Este tipo de política se reflete em quadros como o da Solintel, que recrutou ainda como estagiários mais de 30% de seus funcionários, conforme conta Patricia Vengrus.

"Desde seu surgimento, há 12 anos, a empresa continua muito ligada ao meio acadêmico", conta. "A gente entende que tem de capacitar o estagiário para o mercado de trabalho e, às vezes, até opta por recrutar pessoas sem experiência para capacitá-las", diz.

Hoje contratado como assistente de qualidade na ISAE - Escola de Negócios, em Curitiba, João Paulo de Oliveira, de 18 anos, ganhou uma oportunidade de efetivação após apenas sete meses. Para ele, além das qualidades que o estagiário precisa desenvolver para se destacar e ter chances de continuar, as empresas também precisam confiar nele. "Elas devem depositar responsabilidade nos estagiários e aprendizes para que possam colher os frutos no futuro", opina. "Esta confiança é de grande importância para o desenvolvimento profissional."

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