No fim e no começo de cada ano, o costume e a boa educação ensinam que desejemos "Feliz Ano Novo". Felicidade é o pensamento e o voto que predominam nesta época.
O que é preciso para ser feliz? Muita coisa, na visão das pessoas. Mas podemos definir felicidade de modo objetivo?
Ser feliz é possuir coisas? A sociedade está contaminada pela competição no quesito "ter". Quem tem mais é o melhor dentre todos. Contudo, a felicidade não acontece quando se vive numa mansão em condomínio de luxo, com carros importados, joias e roupas finas. Alguém já disse que "quem aumenta suas posses, multiplica suas preocupações".
Felicidade também não é diversão. Quem se sente infeliz e investe numa longa viagem a um lugar paradisíaco na esperança de encontrá-la, vai se decepcionar. Ao chegar lá, verá que os sentimentos que o deixavam infeliz foram na bagagem. E quando retornar, os encontrará à soleira da porta de casa.
Felicidade tampouco provém de prestígio, sucesso ou fama. Milionários e famosos disputados pelo populacho são ou foram ícones de suprema infelicidade. Alguns se entregaram às drogas, ao álcool ou a uma vida abjeta. Quantos se suicidaram ao atingir o "topo do sucesso"? Elvis Presley, Marilyn Monroe, Michael Jackson e outros.
Um sábio disse: "Pare de correr atrás da felicidade. Ela é estranha. Quanto mais a buscamos, mais ela foge de nós". Não há nada errado em querer ser feliz. O problema está na ideia fixa de que temos de ser felizes a qualquer custo. Além disso, geralmente o que imaginamos pode ser um sonho não realizável.
Será a felicidade ausência de sofrimentos? Feliz é não ter problemas? Se você pensa assim, desista já! Só os mortos não têm problemas. A vida machuca a todos de algum modo: perdas, mágoas, fracassos, competições, julgamentos, etc. Ausência de dor não é uma condição de felicidade. Feliz não é quem jamais levou um tombo, mas provavelmente aquele que conseguiu levantar-se de todas suas quedas e prosseguir caminhando com boa imagem de si mesmo. Acredito até que, diante disso, ele seja bem mais feliz do que antes.
Não perca o seu tempo perguntando se você é ou não feliz. Em vez disso, mantenha-se ocupado. Faça coisas úteis.
Estudos mostram ser a felicidade um produto da autorrealização, um estado de espírito que resulta do valor próprio. É curioso notar que ninguém tem visão mais positiva de si mesmo do que aquele que realizou algo com grande esforço.
Experimente dedicar-se de modo concentrado a uma tarefa importante, do começo ao fim. Ao ver que o seu esforço produziu frutos, você terá maior respeito por si. Disto, sim, pode nascer felicidade.
Pessoas verdadeiramente felizes não estão preocupadas em ser felizes. Mas elas têm um propósito, um sentido. E elas o seguem com amor, esforço e alegria. Por atitudes como estas, seus corações e mentes estão sempre abertos. Então, certo dia, inexplicavelmente e sem nenhum alarde, a felicidade entra em suas vidas... de mansinho. E vem para ficar.


Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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