A FALSA REALIDADE DO SER


As pessoas de hoje possuem duas versões de si: uma versão real e uma versão perfeita - que é a virtual; a versão de carne e osso e a versão "mídias sociais" – com fotos maravilhosas, sorrisos, felicidade pra dar e vender, princípios inabaláveis e convictos de fé, conselhos incríveis, comidas e bebidas de fazer inveja à Rainha Elizabeth etc.
Uma pergunta decorrente disso é: "Quem ganha o quê com isso?", ou outra: "Por que é que nesta realidade virtual as pessoas são tão cuidadosas com suas imagens... a ponto de jamais o serem em relação à vida real?"
Para mim, a resposta é que muitas delas têm medo de que os outros descubram quanto suas vidas são vazias. Por isso, decidem dizer a todos: "Ei, veja só que vida incrível eu tenho!"... e em seguida, lá vêm imagens, comidas, bebidas, felicidade e tudo mais.
Para muitos, inclusive, é mais importante que suas fotos saiam bem do que sua realidade esteja bem. Sim, porque faz mais diferença o que os outros pensam deles do que aquilo que, de fato, vivem. É uma lástima, pois isto é criar uma versão irreal do "ser" em vez de desfrutar o que somos e o que temos. E, de sobra, acabamos fazendo que os protagonistas sejam os outros, e nunca nós mesmos. Por que reclamar, então?

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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