ABRAHAM SHAPIRO
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de setembro de 2017
Abraham Shapiro 
As empresas e a questão da estratégia
Estratégia, essencialmente, se refere a saber "aonde se vai". Não é má ideia, embora atualmente, com crises e reviravoltas de mercado, isso é quase uma ilusão, quando não uma fantasia.
Mas para mim, em assuntos de empresas e negócios, saber "com quem se vai" é o primeiro item da lista de imperativos de um mundo de águas revoltas, assim como é mais importante saber que as pessoas com quem você vai compartilham a sua determinação e têm flexibilidade mental para se adaptar sempre.
Eu não sou e nunca fui defensor do pensamento: "Consiga a estratégia certa e o resto mais ou menos virá automaticamente". Acho que esta visão é pura besteira. Vou dizer o que julgo necessário saber sobre estratégia. E é simples, ainda que difícil.
Nos combates aéreos da Guerra da Coreia, em 1950, os MiGs soviéticos pilotados pelos chineses eram mais rápidos e podiam voar mais alto. No entanto, os F-86 dos americanos conseguiam mudar de direção mais depressa. Por isso, as aeronaves americanas, tecnicamente inferiores, conseguiam um índice de abate de dez por um.
Eu insisto que também as empresas precisam entender que são as "rápidas mudanças de direção" que "derrubam a concorrência" e abrem a visão para novos mercados. É como dizia o boxeador Muhamad Ali: "Deve-se flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha".
Pois bem. O problema das estratégias empresariais é que nenhuma delas, não importa quão brilhante seja, fará qualquer diferença enquanto não existir o viés para a ação ou a paixão pela atitude. E isto tem quase nada a ver com aonde se vai e tudo a ver com quem se vai. É como diz o ditado: "O inferno não é questão de lugar, mas de companhia."
Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina


