Uma tendência frequente em quase todas as empresas consiste em levar a pessoa a fazer algo que não percebe ou com o qual não concorda. Isto se chama manipulação.
Gente não é rato de laboratório. Gente possui consciência, pensa e tem vontade e formação baseadas numa cultura de princípios – sejam quais forem. Não conheço ninguém que, em consciência saudável, deseje ser manipulado.
Um gerente verdadeiro e íntegro não manipula e não se deixa manipular por ninguém.
O que faz para não manipular? Ele deixará cada membro de sua equipe saber, desde o princípio e sempre, o que deve fazer e por quê.
E como ele não se deixa manipular por outrem? Não dando aos demais conhecerem os atributos emocionais de sua personalidade.
Emoções, emoções... sempre as emoções – vocábulo que merece destaque em purpurina e luzes de neon quando o assunto é manipulação.
Todo indivíduo em que predomina a emoção sobre a razão será facilmente manipulável e, em última instância, ele mesmo acreditará que seus problemas são mais fáceis por achar que sabe jogar o "jogo dos sentimentos" que lhe parece tão familiar.
Pura ilusão.
Há empreendedores talentosos que construíram grandes impérios fundados em emoção. Mas vasculhe a história e você verá que muitos deles sucumbiram também por força da emoção.
Não temo de modo algum dizer que frieza é uma das mais importantes características para a condução dos negócios. Infelizmente ela é vista como sinônimo de crueldade, interesse ou egoísmo, especialmente na cultura latina – emocional no DNA. Contudo, a coisa certa a fazer ao tomar decisões negociais é ser frio, objetivo e calculista – aqui no sentido de fazer cálculos.
Você sabe aonde chegará autorizando sentimentos além dos limites permissíveis nos seus negócios? A um cenário repleto de funcionários ressentidos e insubordinados contra as suas ordens; gerentes fazendo negócios e decidindo coisas a seu bel prazer, todos motivados por algum interesse pessoal de ganhos extras. Por quê? Eles sabem que você é "bonzinho".
PS: Eu não sou adivinho e nem profeta. Apenas transcrevo o que vejo acontecer na vida real.

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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