Há cerca de trinta e seis séculos, um dos inimigos gratuitos dos hebreus eram os midianitas. Eles eram nômades no Oriente Médio, sempre em busca de pastos para seus rebanhos, não respeitavam propriedades alheias, roubavam ovelhas e outros animais, destruíam o produto da terra dos vizinhos e aproveitavam-se da minúscula e aparentemente fraca nação dos israelitas. Eram valentões e cruéis. A bíblia relata situações em que os hebreus, governados por juízes, eram atormentados por estes invasores.
E assim foi até que Gideão, o juiz de então, organizou um exército de trinta e dois mil homens para defender Israel.
O número de soldados conferia certa tranquilidade numa guerra corpo a corpo. Mas, nesse momento, conforme a bíblia, Deus manifestou-se contrário a um contingente tão grande. Uma vitória obtida com tanta gente levaria o povo a pensar ter sido mérito exclusivo de seu próprio esforço. Deus dá uma ordem ao juiz:
- "Envie para casa todos aqueles que têm medo de guerrear."
Gideão põe em prática e restam apenas dez mil homens recrutados. Deus prossegue com seus comandos:
- "Leve as tropas ao rio. Peça-lhes que saciem a sede. Observe e despeça os homens que deixarem de lado suas armas ao beber. Fique com os que conservarem uma mão sobre a arma, usando a outra para beber água."
Trezentos homens portaram-se conforme o critério. Isto representava 0,94% do inicial. Uma baixa bastante preocupante para qualquer general.
Algumas perguntas devem ser feitas. A primeira: "Quem eram estes trezentos judeus?"
Eram pessoas cautelosas, prudentes, prontas e dispostas. Mesmo ao beber água mantinham-se alertas, ainda que a guerra não tivesse começado.
"O que, de fato, os elegeu?"
Eles conheciam a missão e permaneceram mentalmente conectados a ela. Nem quando lhes parecia justificável relaxar eles se permitiram perder a consciência da meta. E mais um ponto. Eles tinham em si uma fé poderosa. E a fé supera o conhecimento.
Aqueles trezentos homens puderam, por força de fé, alinhar suas habilidades, capacidades e aptidões de modo surpreendentemente eficaz. Assim, foram mais poderosos do que trinta e dois mil candidatos confusos em suas convicções.
Competência com fé é sempre muito mais do que só competência ou só fé.

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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