ABRAHAM SHAPIRO
Quando um indivíduo quer fazer algo, ele cria todas as desculpas, razões e motivos para realizar sua vontade. E quase sempre, de nada adianta tentar convencê-lo do contrário.
Alguns anos atrás, um homem ganhou na loteria de seu país com um bilhete que terminava com o número 48. Orgulhoso de sua "façanha", este novo milionário revelou ao telejornal de maior audiência a teoria que o levou à fortuna. Ouça o que ele disse ao repórter.
"Sonhei com o número 7 por 7 noites seguidas", disse ele... "E 7 vezes 7 é 48".
E então. O que você pensa disso? Qualquer ouvinte que domine a tabuada do 7, decerto riu! E, de fato, é engraçado.
Todos nós criamos uma versão pessoal do que é o mundo e seus elementos. Formamos uma visão individual dele e passamos a utilizá-la para filtrar e processar o que vemos, ouvimos e tudo o que os nossos sentidos captam. É por este processo que extraímos o significado de cada item do oceano de dados em que estamos submersos desde a hora que nascemos.
Nossos acertos advêm disso. E também os nossos erros.
Há poucos dias, eu vi uma pessoa discutindo com outra sobre sua religião. A primeira tentava impor à segunda seus julgamentos pessoais. É claro que a segunda não os admitia e até tentava expor o que pensava. No entanto, a primeira não deixava a segunda sequer abrir a boca. Ela elevava sua voz de modo limitador e impeditivo.
Numa discussão, aquele que sobrepõe suas palavras às do outro e o impede de expor o que pensa geralmente é o indivíduo que não tem razão, tal qual o homem que pensava ser 48 o resultado de 7 vezes 7! Está errado. E nem o fato de se conquistar a fortuna de uma loteria por este raciocínio o faz correto.
Qualquer que se convence de estar certo, deveria guardar para si um espeço para a dúvida, pois muitas são as circunstâncias que envolvem as decisões e as escolhas de cada um.
O valor de uma discussão está na troca de pontos de vista e na convergência que só os inteligentes conseguem. Já a competição infundada e divergente termina sempre com um vitorioso por nocaute, e é típica de quando uma das partes é um idiota ignorante.
Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina





