As pessoas compram o que desejam ou o que precisam?

Há quem diga depender da classe social. Mas os últimos 12 anos neste país mostraram que o prato da balança do desejo pesou mais do que o das necessidades. E isso é assustador.
Pare e olhe as coisas que estão à sua volta. Você tem necessidade delas? Penso que não. Várias delas são provavelmente inúteis! Mas tudo foi efetivamente comprado. Você sacou recursos do seu bolso e esse dinheiro veio da energia vital que você dispendeu no trabalho.
Uma das forças que mais impulsionam a comprar é a propaganda. Ela tem o poder de invadir as nossas crenças e explorar as nossas tendências. Será bom?
Pense naquele anúncio que associa o produto a uma promessa de sucesso a seu consumidor. Esta propaganda certamente gera um processo de ansiedade no público. Daí virão reações inesperadas. Se o indivíduo possui recursos, ele poderá comprá-lo. Mas como fica aquele que não tem? Ou fará uma dívida ou irá frustrar-se – não pelo produto em si, mas pela ausência do sucesso prometido em sua posse.
Além de alimentar desejo sem limites pela compra, a propaganda baseada nestes princípios talvez converta-se na raiz de muitos problemas sociais.
A despeito disso, o consumo é vertiginoso. Há uma enxurrada de produtos esquisitos oferecidos no mercado. E, interessante, há gente demais comprando. Posso mencionar um. Quem podia imaginar que a venda de toques de chamadas para celulares chegasse a tão altos níveis? Há muita gente gastando dinheiro nisso e até assinando uma revista especializada no tema. Nada contra. É só um exemplo.
Mais do que buscar coisas de que precisamos, temo que estejamos adquirindo ilusões e fantasias como meio para atingir um nível de satisfação que jamais dependeu de ter ou de comprar coisas. Fatos de um mundo que jamais se viu em toda a história? Sim. Mas infelizmente trata-se de um mundo que, por tais atitudes, não tem como e nem onde se sustentar!

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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