ABRAHAM SHAPIRO
O Moacir é chamado à diretoria da escola devido a problemas com o filho.
- "Sr. Moacir, o seu filho Marcelo tem furtado canetas dos colegas".
E o homem responde ao diretor:
- "O meu Marcelo roubando canetas? Impossível? Afinal, eu trago para ele todas as canetas que posso da empresa onde trabalho!!!"
Eu não me conformo com a falta de ética de muitas pessoas. E posso citar um fato recorrente. Passa-se no café de uma livraria que eu frequento, onde há uma seção de revistas. Todas as tardes é possível ver um casal de pessoas bem vestidas de meia idade, talvez aposentados. Eles chegam, apanham uma revista de seu gosto, sentam-se e pedem café expresso. Então leem as revistas de capa a capa durante horas. Depois, largam as revistas sobre a mesa e se vão. A gerente da loja me disse que eles nunca compraram nenhum exemplar.
Ora. A livraria permite que as pessoas folheiem livros ou revistas o bastante para decidir se compram ou não. Ler o livro inteiro ou a revista de capa a capa sem que se compre é furto de conteúdo. Se todos fizerem isso, o negócio vai à falência!
Não é de estranhar que um pacote esquecido sobre um banco do shopping desapareça sem deixar rastro. As pessoas querem ganhar ainda que roubando. Levam o pacote sem nenhuma vergonha, e constroem uma ótima justificativa para o ato. Ou, se preciso for, mudam o conceito de roubar.
Perguntaram a um grupo de estudantes universitários quantos deles roubariam lojas se tivessem a garantia de não ser preso. Um expressivo número levantou a mão afirmativamente. Quando questionados sobre como justificariam este comportamento, disseram que as lojas já contam com um percentual referente a furtos e desvios em seus custos. Logo, não haveria problema algum em furtá-las de vez em quando. Para eles, isto não causaria qualquer prejuízo, pois já está contabilizado.
Diante de fatos como estes, você acha mesmo que muitos dos críticos à corrupção não são corruptos em algum nível ou não o seriam caso estivessem em posição de poder?
Levar vantagem, por aqui, é algo convenientemente justificado como direito pessoal na mente de grande parte da população. Eles pensam e agem exatamente como confessaram aqueles universitários. Se o sr. Moacir se permite trazer para casa uma maleta cheia de insumos da empresa onde trabalha e julga ser isto normal, o que impede seu filho Marcelo de também encher sua mochila das canetas dos colegas?
Deixemos de ser hipócritas e comecemos as mudanças que desejamos no mundo por nós mesmos! Este já será um fantástico trabalho.
Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina





