Você gosta de levar vantagem em tudo?
Sabe-se que uma grande parte dos negócios só acontece porque os compradores ou investidores se veem desde uma perspectiva de levar vantagem sobre outros, e não por uma visão de oportunidade. Vendedores que conhecem este estado psicológico conseguem criar produtos e "ocasiões" especiais para este público que, por mais advertido, acaba cedendo à crença nas chances de ganho expressivo contra o risco que assumem.
Isto é exatamente o que explica a ocorrência de tantos negócios que começam promissores e terminam frustrando os que neles depositaram a economia de décadas de suas vidas na aquisição. Sejam bens ou cotas de participação. O proponente enriquece. Os investidores perdem ou empobrecem. E do que adianta reclamar? Assumiram probabilidades de insucesso em vista de enormes lucros! O risco se concretizou! Ficou o prejuízo, a revolta e o inconformismo - quando não a derrota ou a perda da autoestima. A troco de quê?
Na cultura brasileira, a "Lei de Gérson" é um princípio em que determinada pessoa age de forma a obter vantagem em tudo o que faz, no sentido negativo de se aproveitar de quaisquer situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais.
A "Lei de Gérson" acabou sendo usada para exprimir traços característicos e pouco lisonjeiros do caráter midiático nacional, associados à disseminação da corrupção e ao desrespeito a regras de convívio para a obtenção de vantagens pessoais.
A expressão originou-se em uma propaganda de 1976 que divulgava cigarros da marca Villa Rica. O vídeo apresentava o jogador Gérson, da Seleção Brasileira de Futebol, como protagonista. Ele dizia: "Por que pagar mais caro se o Villa me dá tudo o que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!".
Mais tarde, o jogador manifestou o arrependimento de ter associado sua imagem ao anúncio, visto que qualquer comportamento pouco ético foi aliado a seu nome nas expressões "Síndrome de Gérson" ou "Lei de Gérson".
Cuidado com a propaganda enganosa. Ela se difunde onde menos se espera e nas situações mais comprovadas por números, estatísticas e tendências.
Não confie na beleza e no sucesso impresso ou filmado. Tudo pode não passar de um belo teatro produzido apenas para ser pago – e muito bem pago – pela sua boa fé!

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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