ABRAHAM SHAPIRO
Desde os tempos da Bíblia, todo pai deseja proporcionar boas coisas aos filhos. O pai empresário também, especialmente quando vê a empresa como legado aos descendentes. O problema é que os filhos também têm suas visões.
Como consultor, vi pais lamentando ou se autocondenando por não ter sido enérgico o bastante para engajar os filhos no "brilhante futuro" que lhes construíram. O fato é que para os filhos, futuro brilhante não significa assumir a posição do pai.
Estamos vivendo uma era de novos contextos e conceitos. Até a definição de união mudou. Como isso não afetará os critérios de existência e de condução das empresas familiares?
Um filho fazer o que seus pais querem ou vice-versa é, hoje, improvável sob quase todas as óticas. Em decorrência também disso, a sucessão da empresa é um tema que se tornou tão importante quanto o fluxo do caixa, a rentabilidade e as vendas, especialmente em negócios bem posicionados.
Na prática, absolutamente ninguém terá a seu dispor o tempo ideal para enfrentar e resolver a continuidade do modo desejável. Por que então não lidar desde já com todas as condições que definirão o futuro do modelo dos negócios da família?
Por exemplo: o que fazer se o seu filho não quiser assumir a gestão dos negócios da família?
Você precisa colocá-lo hoje mesmo em contato com profissionais que o orientem, informem e o aculturem a respeito do futuro, pois a empresa é um bem de herança, e como herdeiro, ele terá de exercer acompanhamento mesmo fora da gestão. Há inúmeras competências a serem despertadas e desenvolvidas neste processo.
"Futuro brilhante", portanto, depende de múltiplas variáveis todas sérias e comprometedoras demais. Será injustificável a qualquer gestor repousar sobre a premissa de que a hora de pensar e agir de modo realístico a respeito disso ainda não chegou ou, pior ainda, de que bastará a seus descendentes simplesmente assumirem de modo compulsório o futuro que o pai lhes planejou.
Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina.





