ABRAHAM SHAPIRO
Medo da moita
Pai e filho caminham no campo quando o garoto agarra-se à mão do pai.
- O que há, meu filho? - o pai pergunta.
- Tenho medo daquela moita - diz o menino. Ela se mexeu!
O pai, então diz:
- Não se preocupe antes de saber o que a fez mexer. Pode ser uma cobra, um vento forte ou um coelho. O fato de ela mexer ainda não representa perigo a você, filho. Veja primeiro, e se certifique depois. Em vez de ficar com medo, pense em como agir. Isto é mais prático.
Toda preocupação é uma forma de auto-humilhação. Por quê? O contrário de preocupar-se é ser confiante: confiança em si mesmo, confiança na força Divina, confiança na supremacia do bem e da justiça. Enfim, confiança, é um estado genuíno de dignidade, pois concorda com a potencialidade humana.
O homem é um ser rico de potenciais fantásticos e valores intrínsecos. Quanto mais ele os explora e aperfeiçoa, mais se desenvolve como ser humano e torna-se mais competente em suas habilidades.
Preocupação é palavra de origem latina, e significa: ser o primeiro a ocupar, preceder, fazer com antecipação.
A questão é: qual a utilidade de antecipar sofrimentos sobre uma situação que ainda não se definiu? Para quê preocupar-se? Isto é paralisante. Não será melhor agir dentro das possibilidades? E caso nada seja possível, não será mais inteligente esperar que o melhor aconteça? Isto é digno!
Preocupar-se é uma forma de se entregar ao problema ou à dúvida.
A preocupação faz qualquer pessoa cair de joelhos pelo pavor do mal. Após isto, ela se entregará aos seus sentimentos negativos em vez de incrementar sua confiança. Sua opção será deixar-se alimentar com dor, tristeza e pensamentos irreais.
Confiar, portanto, é levantar os olhos e permanecer na altitude que sua visão alcançou.





