Cum potente societas
  Jamais se associe a alguém muito mais poderoso que você. Uma sociedade já exige um rol prévio bastante grande de ressalvas e cuidados especiais. Se, além disso, as diferenças entre os parceiros forem demais gritantes, a aliança tenderá a distorções ainda maiores, e o produto serão crises complexas - muitas delas insolúveis.
  É o sábio Esopo, um filósofo que há mais de 2.500 anos contava histórias aos atenienses, quem desperta nossa atenção a este problema presente na vida de preocupante número de empresários em todo o mundo.
  Conta o sábio grego uma fábula cuja versão aqui apresentada é uma modesta variante, porém, com moral excepcionalmente verdadeira.
  Uma novilha, uma cabra e uma dócil ovelha se aliaram ao re leão a fim de aumentarem o abastecimento de madeiras no local onde viviam. Implantaram o negócio e conseguiram grande lucro. Chegou o dia da partilha. Os lucros foram divididos em quatro porções iguais, como rezava o contrato societário.
  Chegou o leão diante de seus sócios e pô-se a considerar:
  - ‘‘A primeira parte dos lucros é toda minha, cabe-me por direito, pois sou o rei da floresta e todas as primícias a mim pertencem. A segunda também me cabe, pois sou um bravo e corajoso animal, capaz de fazer tremer grandes feras apenas com o meu rugido. A terceira não hesitarei em tomar, pois entre vocês sou o mais forte e mais poderoso. E com respeito à quarta parte, ai daquele que nela tocar.’’
  Em latim, a moral é apresentada como: ‘‘Societas cum potente numquam est fidelis’’, ou a tradução: ‘‘A sociedade com o poderoso nunca é confiável’’.
  E quanto a você? Pretende entrar numa sociedade? Não o faça sem antes conhecer o caráter do candidato a sócio. Lembre-se do ensinamento de Esopo e garanta não só a sua paz futura, mas o bom funcionamento do seu estômago.

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