Imagine que você ganhasse 10 milhões de reais na Mega Sena. Que alegria! Mas imagine também que, passadas algumas semanas, entrevistas em jornais, programas de tv, o fizessem tão importante a ponto de você começar a pensar que sua fortuna foi alcançada graças à sua incrível inteligência e habilidade com números. Seria ridículo, não?
  Suponha agora que você desenvolvesse um produto que rendesse um lucro real de 10 milhões de reais. É bem provável que você se sentisse um grande inventor. Isto seria perfeitamente justificável diante das pessoas. É que desta vez não há nada de anormal. Todos entendem tratar-se de um verdadeiro mérito resultante de seu esforço.
  Eu conheço muitas pessoas que após terem herdado fortuna de seus pais ou antepassados, chegaram a acreditar que esta riqueza foi um mérito seu. Vi isto ocorrer mesmo com pessoas que não acrescentaram um único tostão ao que herdaram. Qual a causa disto? Orgulho.
  O orgulho é um estado que decorre da pessoa dizer a si mesma: ‘‘Eu sou demais. Sou o máximo! Mamãe, estou no topo do mundo!’’
  Por outro lado, existe uma emoção positiva quando se alcançam objetivos. E ela se chama ‘‘Prazer da Realização’’. Que tipo de prazer é este? É o sentimento que nos leva a dizer: ‘‘Graças a Deus, realizei algo importante. Mesmo não sendo melhor que ninguém, consegui’’, ou ainda ‘‘Minha equipe e eu alcançamos um excelente resultado. Como é bom contar com o esforço de todos!’’
  Há um limite que separa o orgulho do prazer da realização. Não é fácil distinguir esta fronteira. Porém é simples. Na prática, basta não atribuir méritos a si mesmo, isto é, educar-se para evitar a condição ‘‘eu mereço’’, ‘‘eu sou o melhor’’. Ninguém é melhor que ninguém. Todos nós precisamos uns dos outros. Não podemos e nem devemos desprezar os demais.
  Na sua vida há algo que você tenha alcançado com muito esforço? E por isso o que você sente? Gratidão? Orgulho? Muito cuidado. A escolha de um entre estes dois estados de espírito revelará quem você realmente é.

mockup