ABRAHAM SHAPIRO
Empresa familiar: a lição das lições
Qual é a prioridade da sua vida? Passar os dias correndo atrás dos negócios? Juntar patrimônio para a família? Você pode não estar errado. Mas atente-se para algo importante sem o qual todo o esforço que você hoje investe poderá converter-se em vento.
Um homem trabalha como louco. Constrói uma empresa do nada. Cria uma marca. Faz dela um negócio lucrativo. Seus produtos chegam a lugares distantes. Com ganhos crescentes, ele junta bens e regalos de que só milionários desfrutam.
Seus filhos crescem confiantes na fortuna enquanto o pai pensa: ''Posso morrer sossegado, pois minha família estará segura''. Certo dia, isto, de fato, acontece. Tem início aí o libreto de uma ópera. Pena tratar-se 99% das vezes de uma ópera trágica.
Os filhos assumem os negócios. Eles, que até então figuravam como simples ''dedos'' de uma mão, são subitamente promovidos à categoria de ''cabeças''. Deverão pensar, resolver e decidir a respeito de tudo. Porém, dedos pegam coisas. Dedos não pensam.
Sob pressão e sem capacidade de julgamento coerente, o grupo de pretensos homens de negócios é empurrado a fazer escolhas específicas sobre temas que desconhecem. Eles decidirão pela emoção. O produto disso serão rivalidade e inveja somadas a influências duvidosas de agregados - cônjuges e filhos apaixonados.
A competição que aí se instala terá muito em comum com a ''Corrida Maluca'' -
desenho animado da década de 70 - com a Máquina do Mal, pilotada por Dicky Vigarista e Muttley, seu cão trapaceiro -, Penélope Charmosa, a Quadrilha de Morte e outras personalidades congruentes as destes ''senhores feudais'',
inspirados em ''Salve-se quem puder''.
Aquela onda de negócios antes crescentes, começa a murchar e desaparecer num mar de resultados desprezíveis e prejuízos galopantes.
Derrotados pelas evidentes perdas de mercado, os patetas são incapazes de mover-se por aquilo que foi o segredo do negócio: a dedicação paterna. Falta-lhes valor e estima.
A saída que determinam é desfazer-se da empresa - a galinha dos ovos de ouro. Eles a vendem a um concorrente qualquer, cujo prazer de encerrá-la para sempre é paradisíaco. A marca desaparecerá. A horda de filhos tolos optará então por administrar bens. É mais cômodo e não exige massa encefálica. Para que se preocupar?
Parvos como são, procedem, enfim, ao féretro do pouco que restava do patriarca: seus ideais e sonhos. Aquele exímio feitor de riquezas desprezou o óbvio enquanto viveu: partilhar com os filhos uma fração de sua sabedoria e destinar-lhes recursos para desenvolvimento de iniciativas úteis.
O herói de antes é hoje o ícone da insignificância. O máximo de sua memória será o nome impresso na placa de uma rua qualquer de sua cidade.
Se você me lê é porque, graças a Deus, está vivo. Invista na educação de seus filhos. Dê-lhes alguma prática, também. E faça-os conhecer a história e o valor de cada tostão que você tenha conquistado. No entanto, jamais esqueça aquela sabedoria do Rei Salomão: ''A fortuna nas mãos do insensato é
como um colar de brilhantes no pescoço de uma porca''.





