ABRAHAM SHAPIRO - Tempos de turbulência
Quanto aumentou a preocupação das pessoas nas empresas e nas famílias! Cresceram a insegurança e o medo com a situação econômica nacional e, consequentemente, com o futuro.
Nós nos preocupamos com o amanhã como se ele estivesse assegurado. E nunca está! A lição é antiga. Profetas, santos, sábios e heróis já tentaram ensiná-la. Acho que não a aprenderemos jamais. E para piorar, os tempos de bonança nos deixam mal acostumados. Os últimos foram assim. Fazíamos planos e saíamos a persegui-los. Ao atingi-los, tudo estava bem. Se não, era só reprogramar e lá estava a garantia de que a coisa aconteceria. Havia giro, consumo, impulso, crédito, moeda forte tudo a favor.
Agora, entramos numa realidade que, mesmo previsível como parte dos ciclos periódicos, já era esquecida por quase todos. E quando tudo vai bem, recusamo-nos a calcular que isso pode mudar.
Mas a verdade crua, transparente e dolorosa é que nós nunca sabemos o que acontecerá amanhã. Nenhum planejamento pode prever as reviravoltas da vida e do mundo.
Preocupar-se é a forma mais perniciosa de limitação quando o cenário corrente exige precisamente o contrário: criatividade, adição, esforço, foco, atenção, clareza e mais. É bem por causa da incerteza que necessitamos de entusiasmo e vigor.
Segurança, assim como insegurança, é sentimento que resulta da leitura dos fatos ao redor. Agir é preciso em qualquer ocasião. Que ganho há na perda da autoconfiança, da expectativa de recompensa do esforço e da fé?
A economia piorou. Frente a isso, a leitura correta da realidade externa é aquela que coopera para o emprego das nossas potencialidades e competências. O giro reduziu e com ele tudo está mais difícil. Existe uma propensão ao negativo? Sim, é claro. Mas aceder a esse status é inteiramente opcional.
Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina





