ABRAHAM SHAPIRO - Ponto de ruptura
Olhe para o mundo ao seu redor. O que você vê? Mentiras, drogas, violência, corrupção, traições de toda ordem. O fato da imoralidade e o rareamento geral da ética é uma coisa. Mas quando isto ganha a aprovação da sociedade, é outra completamente diferente. E perigosa.
Reverter tal situação é difícil. Na história da humanidade, cenários similares foram prenúncios de destruição e desgraças. Algo muito parecido está registrado na Bíblia, nos dias de Noé.
Na sociedade de hoje, as empresas e a mídia estão constantemente tentando ganhar a aceitação do público, seja em termos de moda, música, programas e ferramentas tecnológicas, ou na proposta de diferentes opções de estilos de vida.
O que me impressiona é observar como os pais de hoje estão, invariavelmente, espantados com o nível de permissividade que existe entre seus filhos, nível este muito próximo ou igual àquele com que os seus pais se espantaram na geração anterior. E, no entanto, continuam a empurrar os limites sem nenhuma consciência reativa cada vez para zonas mais movediças. Será que já não fomos longe demais?
Você pode tomar alguns minutos para notar os comportamentos negativos à sua volta, incluindo até aqueles aos quais você mesmo se atrai, como: a fofoca no ambiente de trabalho, um estilo provocante de se vestir, atitudes violentas aprendidas dos filmes de tevê, a promiscuidade etc. Diante desta constatação, pergunte-se: Isto me incomoda? Faz-me sentir mal?
A coisa mais perigosa que pode passar neste contexto é quando, em algum instante, nossa desculpa é: Não há problema, afinal todo mundo faz isso. Este julgamento é o câncer de nossa era: deixar passar o que é reprovável só porque a sociedade o aceita ou não o pune. Um exemplo? A maldita política brasileira ao velho e pernicioso Eu voto no fulano porque ele rouba, mas faz. Faz o que?
Eis aí o sinal de que chegamos a um ponto de rompimento - ou destruição.
No entanto, em vez disso, ainda temos tempo de optar por um recomeço, uma reengenharia - a iniciar em nós próprios.
É chegada a hora de um grande passo para a independência, a saber, identificar os itens de nossa não adaptação, e decidir que agora chega. Já tivemos o bastante. Já não queremos mais tomar parte nisso.
Se você pensa que não fará diferença alguma, apenas experimente.
Abraham Shapiro é consultor, coach de líderes e escreve às segundas-feiras
na Folha de Londrina. [email protected]





