Após um longo período de pleno emprego no País, a dificuldade de conseguir uma boa colocação profissional volta a existir. Uma das consequências é a depreciação dos salários frente ao senso comum do que é um bom currículo.
Estive com uma jovem formada em Jornalismo, Letras e em curso de uma pós-graduação que, após demissão de seu último emprego, em novembro passado, recebeu proposta recente de recolocação a R$ 1,5 mil. Ela ganhava R$ 3,2 mil e confessou que após o sexto mês desempregada, será obrigada a aceitar a oferta.
Caso a economia caminhe por onde os analistas preveem, conseguir um emprego será cada vez mais difícil e os profissionais graduados, porém, sem competências práticas comprováveis dificilmente ganharão mais do que pagaram mensalmente por suas faculdades.
Currículos com MBA´s, cursos de liderança e outros são cada vez mais vistos como maquiagens à falta de capacitação prática. Não irão além de uma entrevista para confirmar a ausência daquilo que interessa ao contratante.
As empresas buscam profissionais com visão, atitude, iniciativa, ambição, criatividade, simplicidade de decisão, senso de economia, capacidade de criar e desenvolver relacionamentos, liderança pelo exemplo, diplomacia, boa educação, paciência, persistência, resiliência frente a crises e pressão... Isto são itens que faculdades e pós-graduações não ensinam. Competências são conquistas de apenas um tipo de gente: quem estuda muito e se esforça para praticar o que aprende.
Em processo recente de seleção, perguntei a um rapaz, formado em Economia numa das mais bem reputadas escolas do País, sobre seus conhecimentos de Matemática Financeira. Ele respondeu: "Tive a matéria na faculdade, mas não fui bem". A outro, da Administração de Empresas e MBA, pedi que definisse liderança com suas palavras. Ele tentou. Mas nada disse que chegasse próximo a um conceito útil e desembaraçada.
A impressão é que os formados detestam livros. Estágio, para muitos deles, foi só uma exigência curricular. Os melhores acreditaram que algumas horas de estudo à véspera das provas bastariam para que fossem convidados a presidir uma grande companhia no mês seguinte à formatura. Mas terminada a academia, a realidade que encontraram é dura e... com apreciação muito aquém do que calculavam.
O Mauro teve dificuldades. Fez um curso superior de Marketing à distância, estudando como louco. Leu muito, dormiu pouco, buscou aplicar conceitos, errou e acertou, mas qualificou-se. Hoje ele é gerente de uma equipe de vendas que faz bons resultados e ganha o que quer. Ele tem competências práticas cobiçadas por todos os concorrentes. Sabe, por exemplo, fazer um planejamento realista e factível de ações, comunicar-se e envolver pessoas, vender, treinar, formar equipe e controlar atividades no dia a dia.
A receita? Comprometer-se com o aprendizado e sua aplicação prática. Depois, questionar-se e mudar o que for necessário.
Neste mundo, quem nada tem a melhorar está pronto para morrer. A vida só se justifica pelo esforço de "ser" e de "ser melhor" sempre. E esta oportunidade os mortos não têm!

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina
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