Uma mulher pede uma xícara de capuccino e cinco cookies no café do shopping. Senta-se a uma mesa tendo à frente um senhor desconhecido, que lê uma revista. Ela prova a bebida, tira um cookie do pacote e assim que começa a comê-lo, o homem também pega um biscoito do mesmo pacote.
Ela não acredita no que vê e começa a pensar o que fazer.
Curiosa, ela apanha um segundo biscoito. O homem, confiante, faz o mesmo, porém, estampando um enorme sorriso.
Ela se controla com muito esforço, mas está se ardendo de vontade de protestar contra este que se mostra petulante aproveitador.
Com apenas um biscoito sobrando, ela vai novamente ao pacote. Mas o homem é mais rápido. Sem dizer uma palavra, ele quebra o cookie ao meio e oferece a metade a ela. Inconformada, a moça levanta-se, pega sua bolsa e caminha rapidamente ao estacionamento do shopping rumo a seu carro.
Indignada, ela procura as chaves na bolsa enquanto resmunga ofensas ao homem ousado. É quando se surpreende ao encontrar o seu pacote de cookies junto das chaves. São os mesmos que ela havia comprado no café. Está fechado, exatamente como a atendente lhe deu!
Este episódio ensina principalmente que a régua que adotamos como medida das pessoas e de suas atitudes é aquela que criamos com base exclusiva no nosso modelo mental – os nossos paradigmas. O lamentável disso é que, quando não todos, muitos dos nossos paradigmas nem sempre estão corretos.
Ao abrir sua bolsa, a mulher dessa história viu mudar completamente a visão de que o homem era um cara de pau. Só então entendeu estar completamente enganada. Ela é que aproveitava-se dos biscoitos dele. Esta verdade enfim apareceu... agora!
Sempre que julgamos situações e pessoas levando em conta somente as nossas tendências parciais, damos de cara com o nosso erro quando o fato real e objetivo se revela. O quadro completo é sempre maior do que a estreita faixa com que nos contentamos ver.
Bem que podíamos inverter esta sequência desgraçada. Refiro-me a buscar primeiro ver o quadro inteiro, para só depois julgar ou decidir. Calcule quantos conflitos nem sequer nasceriam. Quão felizes e satisfeitos seríamos! Perderíamos muito menos. Ou provavelmente nada!

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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