ABRAHAM SHAPIRO - A inveja, a felicidade e a riqueza
Se você sabe que outros têm sentimento negativo em relação a você, a última coisa a fazer é contar histórias que acendam neles a inveja.
''Como os que me escutam irão reagir? Eles compartilharão de meu contentamento, ou sentirão inveja?'' Após estas perguntas, tome a decisão apropriada de contar ou não o que pretende.
Um texto de autoria do contista Iídiche Scholem Aleichem traz ótimas instruções a respeito: ''Uma pessoa deve sempre levar em conta os sentimentos de seus vizinhos. Se eu tivesse ido a uma feira fazer negócios, por exemplo, e lá viesse a auferir bons resultados, conseguindo vender tudo com bom lucro, e retornasse com os bolsos cheios de dinheiro e o coração palpitando de alegria, não deixaria de dizer a meus vizinhos que tinha perdido até o último centavo de meu dinheiro, e que era um homem arruinado. É claro, pois, assim, eu ficaria feliz, e meus vizinhos ficariam felizes. No entanto, se ao contrário, eu tivesse perdido tudo na feira e trouxesse comigo o coração angustiado, tomaria todo o cuidado de dizer a meus vizinhos que nunca, desde que Deus criou as feiras, houve uma tão maravilhosa como aquela. Você me entende? Assim, eu me sentiria muito infeliz, e meus vizinhos também, junto comigo''.
Com ótimo humor, Scholem Aleichem nos ensina que a inveja é destrutiva. Ela impede a paz, extingue o prazer e rouba a satisfação de viver.
Como vencer a inveja? Se alguém olha para os bens e o sucesso do outro, e menospreza ou esquece os seus próprios - independentemente do tamanho - sua visão de si mesmo é depreciativa.
Não há como superar e dominar a inveja sem foco concentrado naquilo que já conquistamos. O objetivo é sentir gratidão e satisfação.
Não coincidentemente, o segredo da felicidade é também olhar e valorizar o que se possui. A grandeza contida nisto é o fato de que quando somos realmente felizes não invejamos ninguém, pois, verdadeiramente rico é aquele que se alegra com a sua porção.
A inveja é um dos três sentimentos que destroem qualquer indivíduo - por mais forte que seja. Os outros dois são a luxúria e o desejo de fama.
Abraham Shapiro é consultor, coach de líderes e escreve às segundas-feiras na Folha de Londrina. [email protected]





